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Vânia Viana - Professora de Educação Especial
 
A Professora Que Virou Secretária, Que Virou Educadora.
 
Terminado o curso de Formação de Professores, cadê escola para trabalhar? Não tinha. Comecei a sentir logo no início a maneira como era tratada a educação e seus educadores, desvalorizados pelo próprio sistema que o havia formado.
Como todo aprendiz, fui buscar, buscar! Aquela busca, da primeira colocação no mercado de trabalho.

Diante das dificuldades para entrar no magistério, parti em busca de outros empregos. Enfim acabei por virar secretária, não tinha muito a ver comigo, mas me colocou no mercado formal.

Até que me saia bem, fui promovida a secretária da diretoria da empresa, o salário melhorava. E minha chefe, mulher guerreira e muito competente, sabia que eu havia sido aprovada em concurso que havia feito, mas duvidava que eu fosse trocar de emprego!

Afinal fui chamada! Minha chefe fez uma boa proposta para que eu ficasse mas, recusei. Precisava me descobrir professora e enfim, partir rumo ao magistério...

Minha trajetória se iniciou nos famosos Cieps, achei lindo o deslumbramento das crianças diante da ''Tia'', mal sabia eu que todo aquele deslumbramento, era um dos ingredientes da miséria. Sim! Miséria sim! Miséria financeira, social, afetiva e tantas outras misérias com as quais nos deparamos todos os dias nas salas de aula por onde lecionamos. Me entristeci... Não sabia eu que todas aquelas crianças lindas (sim, pois criança é sempre linda, mesmo as remelentas e com nariz escorrendo) passavam por tantos sofrimentos. Fui lotada numa comunidade muito carente e violenta, onde soube de crianças sendo reconhecidas, mortas em valas negras. Fiquei chocada...

Depois, conheci outras comunidades mais amenas, mais a carência também se evidenciava. Me deparei com excluídos de outra ordem, os especiais. Crianças que apresentavam deficiências, só que desta vez, muitas tinham um laudo médico e estavam agrupadas (o que as diferenciava das anteriores).

Precisava me capacitar, estudar, pesquisar. Voltei aos estudos (onde permaneço), e fiquei no ensino regular e no especial, abracei um pouco mais forte aqueles que nem sempre suportam o contato físico de um abraço, os autistas, nesse abraço inclui também os pais, tão pouco esclarecidos sobre a síndrome, como boa parte de nossa sociedade. E dessa união está nascendo a Associação de Pais e Amigos da Pessoa Autista da Baixada Fluminense, que está tomando forma, ganhando corpo, querendo gritar: Olá educação, olhe para nós!

E a professora? Bem esta que um dia virou secretaria, não quer mais ser somente professora. Hoje ela quer ir mais longe, quer ser EDUCADORA.


Vania Viana – Professora de Educação Especial
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Atualizado em: July, 2006