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TDAH 
(Matéria gentilmente cedida por Lucy Santos)
 
Compreensão, Avaliação e Atuação:
Uma Visão Geral sobre o TDAH
 
Mensagem do Projeto Florescer
 

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
é caracterizado por uma constelação de problemas
relacionados com falta de atenção, hiperatividade e
impulsividade. Esses problemas resultam de um
desenvolvimento não adequado e causam dificuldades na
vida diária. O TDAH é um distúrbio bio-psicossocial, isto
é, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos,
sociais e vivenciais que contribuem para a intensidade
dos problemas experimentados. Foi comprovado que o TDAH
atinge 3% a 5% da população durante toda a vida.
Diagnóstico precoce e tratamento adequado podem reduzir
drasticamente os conflitos familiares, escolares,
comportamentais e psicológicos vividos por essas
pessoas. Acredita-se que, através de diagnóstico e
tratamento corretos, um grande número dos problemas,
como repetência escolar e abandono dos estudos,
depressão, distúrbios de comportamento, problemas
vocacionais e de relacionamento, bem como abuso de
drogas, pode ser adequadamente tratado ou, até mesmo,
evitado.

Até há algum tempo atrás, pensava-se que os sintomas do
TDAH diminuíam com a adolescência. As pesquisas
mostraram que a maioria das crianças com TDAH chega à
maturidade com um padrão de problemas muito similar aos
da infância e que adultos com TDAH experimentam
dificuldades no trabalho, na comunidade e com suas
famílias. Também há registros de um número maior de
problemas emocionais, incluindo depressão e ansiedade.

Em 1902, pesquisadores descreveram pela primeira vez as
características dos problemas de impulsividade, falta de
atenção e hiperatividade apresentados por crianças com
TDAH. Desde então, o distúrbio foi denominado de várias
maneiras, entre elas, Disfunção Cerebral Mínima, Reação
Hipercinética da Infância e Distúrbio de Déficit de
Atenção. A 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais, da Associação Americana de
Psiquiatria, atualmente descreve este conjunto de
problemas como Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade.


O Problema

O TDAH interfere na habilidade da pessoa de manter a
atenção - especialmente em tarefas repetitivas - de
controlar adequadamente as emoções e o nível de
atividade, de enfrentar conseqüências consistentemente e,
talvez o mais importante, na habilidade de controle e
inibição. Inibição refere-se à capacidade de evitar a
expressão de forças poderosas que levam a agir sob o
domínio do impulso, de modo a permitir que haja tempo
para o autocontrole. As pessoas com TDAH até podem saber
o que deve ser feito, mas não conseguem fazer aquilo que
sabem devido à inabilidade de realmente poder parar e
pensar antes de reagir, não importando o ambiente ou a
tarefa.

As características do TDAH aparecem bem cedo para a
maioria das pessoas, logo na primeira infância. O
distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos,
com duração de no mínimo 6 meses, que se instalam
definitivamente antes dos 7 anos. Atualmente, 4 subtipos
de TDAH foram classificados:


1. TDAH - tipo desatento:

A pessoa apresenta, pelo menos, seis das seguintes características:

Não enxerga detalhes ou faz erros por falta de cuidado.

Dificuldade em manter a atenção.

Parece não ouvir.

Dificuldade em seguir instruções.

Dificuldade na organização.

Evita/não gosta de tarefas que exigem um esforço mental
prolongado.

Freqüentemente perde os objetos necessários para uma
atividade.

Distrai-se com facilidade.

Esquecimento nas atividades diárias.

2. TDAH - tipo hiperativo/impulsivo -

É definido se a pessoa apresenta seis das seguintes características:

Inquietação, mexendo as mãos e os pés ou se remexendo na
cadeira.

Dificuldade em permanecer sentada.

Corre sem destino ou sobe nas coisas excessivamente (em
adultos, há um sentimento subjetivo de inquietação).

Dificuldade em engajar-se numa atividade silenciosamente.

Fala excessivamente.

Responde a perguntas antes delas serem formuladas.

Age como se fosse movida a motor.

Dificuldade em esperar sua vez.

Interrompe e se intromete.


3. TDAH - tipo combinado - é caracterizado pela pessoa
que apresenta os dois conjuntos de critérios dos tipos
desatento e hiperativo/impulsivo.


4. TDAH - tipo não específico;

a pessoa apresenta algumas características mas número insuficiente de sintomas para chegar a um diagnóstico completo. Esses
sintomas, no entanto, desequilibram a vida diária.

Na idade escolar, crianças com TDAH apresentam uma maior
probabilidade de repetência, evasão escolar, baixo
rendimento acadêmico e dificuldades emocionais e de
relacionamento social. Supõe-se que os sintomas do TDAH
sejam catalisadores, tornando as crianças vulneráveis ao
fracasso nas duas áreas mais importantes para um bom
desenvolvimento - a escola e o relacionamento com os
colegas.

À medida que cresce o conhecimento médico, educacional,
psicológico e da comunidade a respeito dos sintomas e dos
problemas ocasionados pelo TDAH, um número cada vez maior
de pessoas está sendo corretamente identificado,
diagnosticado e tratado. Mesmo assim, suspeita-se que
um grupo significativo de pessoas com TDAH ainda
permanece não identificado ou com diagnóstico incorreto.
Seus problemas se intensificam e provocam situações muito
difíceis no confronto da vida normal.

O TDAH é com freqüência apresentado, erroneamente, como
um tipo específico de problema de aprendizagem. Ao
contrário, é um distúrbio de realização. Sabe-se que as
crianças com TDAH são capazes de aprender, mas têm
dificuldade em se sair bem na escola devido ao impacto
que os sintomas do TDAH têm sobre uma boa atuação. Por
outro lado, 20% a 30% das crianças com TDAH também
apresentam um problema de aprendizagem, o que complica
ainda mais a identificação correta e o tratamento
adequado. Pessoas que apresentaram sintomas de TDAH na
infância demonstraram uma probabilidade maior de
desenvolver problemas relacionados com comportamento
opositivo desafiador, delinqüência, transtorno de
conduta, depressão e ansiedade. Os pesquisadores, no
entanto, sugerem que o resultado desastroso apresentado
por alguns adolescentes não é uma conseqüência apenas do
TDAH mas, antes, uma combinação de TDAH com outros
transtornos de comportamento, especialmente nos jovens
ligados a atitudes criminosas e abuso de substâncias.

Relatos sobre adultos com TDAH mostram que eles enfrentam
problemas sérios de comportamento anti-social, desempenho
educacional e profissional pouco satisfatórios,
depressão, ansiedade e abuso de substâncias.
Infelizmente, muitos adultos de hoje não foram
diagnosticados como crianças com TDAH. Cresceram lutando
com uma deficiência que, freqüentemente, passou sem
diagnóstico, foi mal diagnosticada ou, então,
incorretamente tratada.

A maioria dos adultos com TDAH apresenta sintomas muito
similares aos apresentados pelas crianças. São
freqüentemente inquietos, facilmente distraídos, lutam
para conseguir manter o nível de atenção, são impulsivos
e impacientes. Suas dificuldades em manejar situações
de “stress” levam a grandes demonstrações de emoção. No
ambiente de trabalho, é possível que não consigam
alcançar boa posição profissional ou status compatível
com sua educação familiar ou habilidade intelectual.


Causa

Quando se pensa em TDAH, a responsabilidade sobre a causa
geralmente recai sobre toxinas, problemas no
desenvolvimento, alimentação, ferimentos ou malformação,
problemas familiares e hereditariedade. Já foi sugerido
que essas possíveis causas afetam o funcionamento do
cérebro e, como tal, o TDAH pode ser considerado um
distúrbio funcional do cérebro. Pesquisas mostram
diferenças significativas na estrutura e no funcionamento
do cérebro de pessoas com TDAH, particularmente nas áreas
do hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal,
gânglios da base, corpo caloso e cerebelo. Esses estudos
estruturais e metabólicos, somados a estudos genéticos e
sobre a família, bem como a pesquisas sobre reação a
drogas, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno
neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas
experimentados pelos portadores do TDAH variar de acordo
com suas experiências de vida, está claro que a genética
é o fator básico na determinação do aparecimento dos
sintomas do TDAH.


Diagnóstico

O diagnóstico do TDAH é um processo de múltiplas
facetas. Diversos problemas biológicos e psicológicos
podem contribuir para a manifestação de sintomas
similares apresentados por pessoas com TDAH. Por
exemplo, a falta de atenção é uma das 9 características
do processo de depressão. Impulsividade é uma descrição
típica de delinqüência.

O diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla . Não se
pode deixar de considerar e avaliar outras causas para o
problema, assim, é preciso estar atentos à presença de
distúrbios concomitantes (comorbidades). O aspecto mais
importante do processo de diagnóstico é um cuidadoso
histórico clínico e desenvolvimental. A avaliação do
TDAH inclui, freqüentemente, um levantamento do
funcionamento intelectual, acadêmico, social e
emocional. O exame médico também é importante para
esclarecer possíveis causas de sintomas semelhantes aos
do TDAH (por exemplo, reação adversa à medicação,
problemas de tiróide, etc.) O processo de diagnóstico
deve incluir dados recolhidos com professores e outros
adultos que, de alguma maneira, interagem de maneira
rotineira com a pessoa sendo avaliada. Embora se tenha
tornado prática popular testar algumas habilidades como
resolução de problemas, trabalhos de computação e
outras, a validade dessa prática bem como sua
contribuição adicional a um diagnóstico correto continuam
a ser analisadas pelos pesquisadores.

No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda
é conseguir o histórico cuidadoso da infância, do
desempenho acadêmico, dos problemas comportamentais e
profissionais. À medida que aumenta o reconhecimento de
que o transtorno é permanente durante a vida da pessoa,
os métodos e questionários relacionados com o diagnóstico
de um adulto com TDAH estão sendo padronizados e se
tornando cada vez mais acessíveis.


Tratamento

O tratamento de crianças com TDAH exige um esforço
coordenado entre os profissionais das áreas médica, saúde
mental e pedagógica, em conjunto com os pais. Esta
combinação de tratamentos oferecidos por diversas fontes
é denominada de intervenção multidisciplinar. Um
tratamento com esse tipo de abordagem inclui:

treinamento dos pais quanto à verdadeira natureza do TDAH
e em desenvolvimento de estratégias de controle efetivo
do comportamento;

um programa pedagógico adequado;

aconselhamento individual e familiar, quando necessário,
para evitar o aumento de conflitos na família;

uso de medicação, quando necessário.

Os medicamentos mais utilizados para o controle dos
sintomas do TDAH são os psicoestimulantes; 70% a 80% das
crianças e dos adultos com TDAH apresentam uma resposta
positiva. Esse tipo de medicamento é
considerado “performance enhancer”. Portanto, eles
podem, até certo ponto, estimular a performance de todas
as pessoas. Mas, em razão do problema específico que
apresentam, crianças com TDAH apresentam uma melhora
dramática, com redução do comportamento impulsivo e
hiperativo e aumento da capacidade de atenção.

O controle do comportamento é uma intervenção importante
para crianças com TDAH. O uso eficiente do reforço
positivo combinado com punições num modelo
denominado “custo de resposta” tem sido uma maneira
particularmente bem sucedida de lidar com crianças
portadoras do transtorno.

O sucesso na sala de aula freqüentemente exige uma série
de intervenções. A maioria das crianças com TDAH pode
permanecer na classe normal, com pequenos arranjos na
arrumação da sala, utilização de um auxiliar e/ou
programas especiais a serem utilizados fora da sala de
aula. As crianças com problemas mais sérios exigem salas
de aulas especiais.

Os adultos com TDAH apresentam resposta aos estimulantes
e outros medicamentos semelhante à das crianças. Eles
também podem se beneficiar aprendendo a estruturar seu
meio ambiente, desenvolvendo hábitos organizacionais e
procurando um aconselhamento profissional. Quando
necessário, uma psicoterapia de curto prazo pode ajudar a
enfrentar as exigências da vida e os problemas pessoais
do momento. Terapias mais prolongadas podem ensinar a
mudar comportamentos e a criar estratégias de
enfrentamento a pessoas que apresentam uma combinação
de TDAH e problemas concomitantes - especialmente
depressão.

Aumenta a cada dia o reconhecimento da eficiência dos
tratamentos na redução dos sintomas imediatos
apresentados por pessoas com TDAH. Os pesquisadores, no
entanto, acreditam que somente reduzir os sintomas das
crianças com TDAH não traz resultados satisfatórios a
longo prazo. Assim, aumenta a consciência de que os
fatores que predispõem todas as crianças à uma vida bem
sucedida são especialmente importantes para as crianças
que apresentam problemas relacionados a distúrbios como o
TDAH. Há uma maior aceitação da necessidade
de “equilibrar a balança” para as pessoas com TDAH.
Portanto, os tratamentos são aplicados para permitir
alívio dos sintomas enquanto se trabalha no sentido de
assistir a pessoa a construir uma vida bem sucedida. A
máxima “tornar as tarefas interessantes e fazer o
pagamento valer a pena” parece ser extremamente
importante para as pessoas com TDAH.


Pais

Programas de treinamento para pais de crianças com TDAH
freqüentemente começam com ampla divulgação de
informação. Existe uma grande quantidade de livros,
vídeos e fitas disponíveis com dados a respeito do
transtorno em si e de estratégias efetivas que podem ser
usadas por familiares. A lista que segue revê nove
pontos de uma série de estratégias que podem ajudar os
pais de crianças portadoras de TDAH (Goldstein e
Goldstein, 1998).


1. Aprender o que é TDAH

* Os pais devem compreender que, para poder controlar
em casa o comportamento resultante do TDAH, é preciso ter
um conhecimento correto do distúrbio e suas complicações.


2. Incapacidade de compreensão versus rebeldia

* Os pais devem desenvolver a capacidade de
distinguir entre problemas que resultam de incapacidade
e problemas que resultam de recusa ativa em obedecer
ordens. Os primeiros devem ser tratados através da
educação e desenvolvimento de habilidades. Os outros são
resolvidos de maneira satisfatória através de manipulação
das conseqüências.


3. Dar instruções positivas

* Pais devem cuidar para que seus pedidos sejam feitos
de maneira positiva ao invés de negativa. Uma indicação
positiva mostra para a criança o que deve começar a ser
feito e evita que ela focalize em parar o que está
fazendo.


4. Recompensar

* Os pais devem recompensar amplamente o
comportamento adequado. Crianças com TDAH exigem
respostas imediatas, freqüentes, previsíveis e
coerentemente aplicadas ao seu comportamento. Da mesma
maneira, necessitam de mais tentativas para aprender
corretamente. Quando a criança consegue completar uma
tarefa ou realiza alguma coisa corretamente, deve ser
recompensada socialmente ou com algo tangível mais
freqüentemente que o normal.


5. Escolher as batalhas

* Os pais deveriam escolher quando e como gastar suas
energias numa batalha, sempre reforçando o positivo,
aplicando conseqüências imediatas para comportamentos que
não podem se ignorados e usando o sistema de créditos ou
pontos. É essencial que os pais estejam sempre um passo
a frente.


6. Usar técnicas de “custo de resposta”

* Os pais devem entender bem o que seja “custo de
resposta”, uma técnica de punição em que se pode perder o
que se ganhou.


7. Planejar adequadamente

* Os pais devem aprender a reagir aos limites de seu
filho de maneira positiva e ativa. Aceitar o
diagnóstico de TDAH significa aceitar a necessidade de
fazer modificações no ambiente da criança. A rotina deve
ser consistente e raramente variar. As regras devem ser
dadas de maneira clara e concisa. Atividades ou
situações em que já ocorreram problemas devem ser
evitadas ou cuidadosamente planejadas.


8. Punir adequadamente

* Os pais devem compreender que a punição sozinha não irá
reduzir os sintomas de TDAH. Punir deve ser uma atitude
diretamente relacionada apenas a um comportamento
declaradamente desobediente. No entanto, a punição só
trará modificação de comportamento para crianças com TDAH
se acompanhada de uma estratégia de controle.


9. Construir ilhas de competência

* O que realmente importa para o sucesso dessa criança
na vida é o que existe de certo com ela e não o que está
errado. Cada vez mais, a área da saúde mental focaliza
seu trabalho em aumentar os pontos fortes em vez de
tentar diminuir os pontos fracos. Uma das melhores
maneiras de criar pontos fortes é uma boa relação dos
pais com seu filho.


Escola

Uma sala de aula eficiente para crianças desatentas deve
ser organizada e estruturada. A estrutura supõe regras
claras, um programa previsível e carteiras separadas. Os
prêmios devem ser coerentes e freqüentes. Um programa de
reforço baseado em ganho e perda deve ser parte integral
do trabalho da classe. A avaliação do professor deve ser
freqüente e imediata. Interrupções e pequenos incidentes
têm menores conseqüências se ignorados. O material
didático deve estar adequado à habilidade da criança.
Estratégias cognitivas que facilitam a auto-correção,
assim como melhoram o comportamento nas tarefas, devem
ser ensinadas. As tarefas devem variar, mas continuar
sendo interessantes para os alunos. Os horários de
transição, bem como os intervalos e reuniões especiais,
devem ser supervisionados. Pais e professores devem
manter uma comunicação freqüente. Os professores também
precisam estar atentos à qualidade de reforço negativo do
seu comportamento. As expectativas devem ser adequadas
ao nível de habilidade da criança e deve-se estar
preparado para mudanças.

Os professores devem ter conhecimento do conflito
incompetência x desobediência, e aprender a discriminar
entre os dois tipos de problema. É preciso desenvolver
um repertório de intervenções para poder atuar
eficientemente no ambiente da sala de aula de uma criança
com TDAH. Essas intervenções minimizam o impacto
negativo do temperamento da criança. Um segundo
repertório de intervenções deve ser desenvolvido para
educar e melhorar as habilidades deficientes da criança
com TDAH.

Dois livros excelentes para professores em sala de aula,
que oferecem uma visão de situação, assunto e
intervenções de acordo com os diversos níveis, são: “How
to Reach and Teach ADD/ADHD Children”, de Sandra Rief,
e “Attention Deficit Disorder: Strategies for School Age
Children”, de Clare Jones. O novo texto de George DuPaul
e Gary Stoner, “ADHD in the Schools”, é altamente
recomendado para supervisores.

Um ótimo manual para estratégias de sala de aula para
crianças com TDAH foi recentemente publicado pelo Council
for Exceptional Children (Conselho para as Crianças
Excepcionais) - “Attention Deficit Disorder:
Identification, Programs and Interventions”. O manual
foi redigido por Ron Reeve, Ph.D. e seus colegas da
Universidade da Virginia, e traz dados bastante
atualizados. Informação de como receber esse material
nos seguintes endereços:

Council for Exceptional Children
1920 Association Drive, Dept. 9945D
Reston, VA. 22091

ou

Ronald Reeve, Ph.D.
Department of School Psychology, University of Virginia
405 Emmett Street, Rfner Hall
Charlottesville, VA. 22903-2495



Sugestões para Intervenções do Professor

Há uma grande variedade de intervenções específicas que o
professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se
ajustar melhor à sala de aula:

Proporcionar estrutura, organização e constância
(exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou
carteiras, programas diários, regras claramente
definidas)

Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem,
perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo.

Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque
essas crianças desanimam facilmente. Dar
responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se
sintam necessárias e valorizadas. Começar com tarefas
simples e gradualmente mudar para mais complexas.

Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e
contato físico de madeira equilibrada e, se possível,
fazer os colegas também terem a mesma atitude.

Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno.

Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos
e favorecer oportunidades sociais.Grande parte das
crianças com TDAH consegue melhores resultados
acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de
grupos pequenos.

Comunicar-se com os pais. Geralmente, eles sabem o que
funciona melhor para o seu filho.

Ir devagar com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos
cada uma traz melhores resultados do que duas tarefas de
meia hora. Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com
freqüência elimina a necessidade de ficar enfrentando a
inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a
auto-percepção.

Favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como
uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis,
levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou
dar de comer ao mascote da classe.

Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando em
consideração as deficiências e inabilidades decorrentes
do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção
muito curto, não esperar que ele se concentre em apenas
uma tarefa durante todo o período da aula.

Recompensar os esforços, a persistência e o comportamento
bem sucedido ou bem planejado.

Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos
hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre
o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e
sobre os outros ajuda bastante.

Favorecer freqüente contato aluno/professor. Isto
permite um “controle” extra sobre a criança com TDAH,
ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite um
auxílio adicional e mais significativo, além de
possibilitar oportunidades de reforço positivo e
incentivo para um comportamento mais adequado.

Colocar limites claros e objetivos; ter uma atitude
disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação
freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a
desenvolver um comportamento adequado.

Assegurar que as instruções sejam claras, simples e dadas
uma de cada vez, com um mínimo de distrações.

Evitar segregar a criança que talvez precise de um canto
isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações;
fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem
feitas em vez de um lugar de castigo.

Desenvolver um repertório de atividades físicas para a
turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.

Estabelecer intervalos previsíveis de períodos sem
trabalho que a criança pode ganhar como recompensa por
esforço feito. Isso ajuda a aumentar o tempo da atenção
concentrada e o controle da impulsividade através de um
processo gradual de treinamento.

Reparar se a criança se isola durante situações
recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de
dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma
intervenção adicional.

Preparar com antecedência a criança para as novas
situações. Ela é muito sensível em relação às suas
deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.

Desenvolver métodos variados utilizando apelos sensoriais
diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao
ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as
novas experiências envolvem uma miríade de sensações
(sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse
aluno provavelmente irá precisar de tempo extra para
completar sua tarefa.

Não ser mártir! Reconhecer os limites da sua tolerância
e modificar o programa da criança com TDAH até o ponto de
se sentir confortável. O fato de fazer mais do que
realmente quer fazer traz ressentimento e frustração.

Permanecer em comunicação constante com o psicólogo ou
orientador da escola. Ele é a melhor ligação entre a
escola, os pais e o médico.

Prognóstico

Crianças com TDAH estão sujeitas ao fracasso escolar, a
dificuldades emocionais e a um desempenho
significativamente negativo como adultos quando
comparadas a seus colegas. No entanto, a identificação
precoce do problema, seguida de tratamento adequado, tem
demonstrado que essas crianças podem vencer os
obstáculos.

O tópico TDAH provavelmente continuará sendo o mais
amplamente pesquisado e debatido nas áreas da saúde
mental e desenvolvimento da criança. Coisas novas
acontecem a cada dia. O Instituto Nacional de Saúde
Mental acaba de completar um estudo multidisciplinar de
5 anos sobre tratamento de TDAH que proporciona uma série
de respostas mais abrangentes sobre o diagnóstico,
tratamento e desenvolvimento de pessoas portadoras de
TDAH. Os estudos sobre genética molecular possivelmente
cheguem a identificar o gene relacionado com esse
distúrbio.

Com a crescente conscientização e compreensão da
comunidade em relação ao impacto significativo que os
sintomas do TDAH têm sobre as pessoas e suas famílias, o
futuro parece mais promissor.

* Sam Goldstein é psicólogo, diretor do Centro de
Neurologia, Aprendizagem e Comportamento em Salt Lake
City, Utah, USA, autor de inúmeros livros sobre TDAH.

 
 
 

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Atualizado em: July, 2006