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Denúncia a
Procuradoria da República |
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Extrato do
documento encaminhado ao Procurador da República Dr. Marlon Alberto
Weichert e que trata da falta de atendimento ao autistas nas áreas de
saúde e educação. |
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Excelentíssimo Procurador da República Sr. Dr. Marlon Alberto Weichert,
Foi com grande satisfação que recebi notícia de que esta procuradoria
havia acatado minha denúncia que trata da falta de atendimento aos
portadores de deficiências, em especial aos Autistas. Para melhor
esclarecer o assunto, seguem abaixo algumas informações sobre o autismo:
1 - O que é Autismo
2 - Das Necessidades do indivíduo Autista.
3 - Da Situação das famílias de Autistas
4 - O que pode ser feito
5 - Das Associações Beneficientes e /ou convênios
6 - Quem somos e quantos somos
7 - O que o poder público tem feito
1- O que é Autismo
Conhecido como Síndrome do Espectro do Autismo, ou simplesmente autismo.
Está associada a distúrbios neurológicos que afetam o desenvolvimento do
indivíduo, desde a infância, geralmente diagnosticada por volta dos 18
meses de idade, comprometendo seriamente os padrões de comunicação e
linguagem, sociabilidade, cocgnitivo, etc. Pesquisas recentes revelam que
a proporção da incidência do autismo é de 1:500 nascimentos. Acomete mais
meninos que meninas (4:1) e o grau de comprometimento é muito variável
podendo ser desde severas limitações à quadros mais moderados. Em muitos
casos, está associado também a epilepsias.
2- Das Necessidades do Indivíduo Autista
A criança autista além das necessidades de uma criança normal, precisa
para seu desenvolvimento de um acompanhamento intenso para desenvolver
aprendizados, mesmo para situações básicas e cotidianas como se alimentar
sozinho, cuidar da higiene pessoal, usar vaso sanitário, comunicar-se
(muitos não desenvolvem linguagem), coordenação motora, sociabilização,
etc.
Para tanto faze-se imprescindível que sejam recebidas terapias:
Fisioterapia - para casos em que há comprometimento motor
terapia ocupacional- para trabalhar habilidades motoras e AVD's
(atividades da vida diária)
Fonoaudiologia - para trabalhar a mastigação/deglutição, desenvolvimento
das comunicações.
Estimulação Precoce/Estimulação Global - busca a reorganização neurológica
através de exercícios apropriados.
Psicologia - para acompanhamento e orientação sobre o intelecto/emocional
do paciente.
Neurologia - acompanhamento neurológico
Pediatria - acompanhamento geral.
Chama-se ao conjunto destes especialistas de Equipe Multidiciplinar pois o
acompanhamento clínico em equipe permite resultados ainda maiores,
associados a este trabalho, escola especial com profissionais preparados
fazem com que estas crianças tenham reais oportunidades de
desenvolvimento. A ausência destes serviços ou terapias, leva a criança, a
um quadro altamente debilitante.
3 - Da Situação das Famílias de Autistas.
Para cumprir com esta maratona de profissionais, raramente disponíveis em
um mesmo local, faz-se necessário deslocamentos constantes, impedindo um
desenvolvimento profissional dos familiares que precisam faltar, sair mais
cedo do trabalho, etc. para tentar auxiliar o familiar portador do
autismo, o que na grande maioria dos casos vem a causar um caos econômico
para as famílias. Muito comum também as dificuldades durante o transporte,
pois nem todos andam ou se andam o fazem com dificuldades pois estranham
ambientes, caminhos, têm crises nervosas, levando ao esgotamento seu
acompanhante. Além do físico e emocional dos familiares, mais um abalo se
soma, pois o custo destes tratamentos são estratosféricos, levando a
família a ter que optar por um ou outro especialista, comprometendo o
futuro da criança. Sem contar que apesar de previsto em lei as empresas de
transporte coletivo negam o acesso gratuito a estas crianças.
4 - O que pode ( e deve) ser feito.
Para auxiliar estas famílias, que estão espalhadas por todo o país (o
autismo ocorre nas mesmas proporções em todo o mundo) e para
principalmente, salvar estas crianças e jovens autistas do abandono, urge
que se façam cumprir os direitos destas crianças e os Centros de
Tratamento com Equipes Multidiciplinares sejam acessíveis, para todas
elas, e não apenas para aquelas famílias que podem pagar, inclusive em
instituições que deveriam estar prestando atendimento gratuito, já que
recebem recursos externos, inclusive repasses do governo federal, estadual
e municipal. Como as citadas acima, em postos públicos, a exemplo de
postos de Saúde, adaptados para esta realidade.
Não se pode condenar ao ostracismo e ao abandono crianças e jovens
brasileiros que precisam e merecem apoio para seus desenvolvimento. Faz-se
necessário classes especiais de verdade, com metologia própria para as
necessidades de cada aluno especial. Exemplo disto podemos citar o estado
do Rio Grande do Sul, que mantém algumas salas com Método Teacch
(Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped
CHildren) método utilizado mundialmente. É preciso que se estabeleçam
parcerias entre as universidades estaduais, federais e mesmo privadas para
treinamento e atendimento as famílias. Destaco que alguns resultados foram
obtidos em função, não como fruto da “boa vontade” do poder público, mas
sim do resultado da ação coletiva na justiça de grupos de mães.
5- Das Associações Beneficientes e /ou convênios
É pratica levantar argumentos e sugestões do tipo: procurar APAE, procurar
AACD, AMA etc, tambem é costume orientações como: A prefeitura mantém
convênios com tais instituições para atendimento gratuito... e etc. Estas
orientações são, senão inocentes, falhas, pois desenha-se um quadro real
lembrando que as referidas instituições se recebem recursos, alegam não
ser suficientes para suprir suas despesas e portanto alguém (os
familiares) precisam pagar a conta, daí advém as assistentes sociais
vasculhando a vida da família inteira, orientando pais a pedir esmolas na
comunidade, etc. E tudo sob o falso título de colaboração, de ajudar na
causa, etc. E pobre da família que não conseguir o valor da "colaboração",
"ajuda" ou como queiram batizar pois não deixa de ser uma mensalidade e
sempre acima das posses da família, os que não conseguem, ficam SEM
ATENDIMENTO. Se na triagem inicial demonstrarem que querem o atendimento
gratuito, que têm algum conhecimento sobre as tais "maquiagens" etc, seus
filhos serão recusados pela instituição com o argumento de que são
inelegíveis para o tratamento da entidade. Obviamente, existem aqueles que
por milagre ou clientelismo, conseguiram atendimento gratuito mas não
constituem nem 2% dos necessitados. Mesmo que quisessem, não poderiam
absorver todo o contigente. Em cidades do interior, algumas instituições
conseguem cumprir seu papel, mas a grande maioria das entidades desviam-se
de seu curso inicial de oferecer atendimento gratuito sob os mais diversos
apelos que maqueiam a dura realidade enfrentada pelos pais que voltam para
casa com seus filhos sem atendimento e sem esperança.
Nota:
”O atendimento em escolas e postos públicos ajudaria a resolver a questão
e não envolveriam grandes somas, nem mesmo projetos faraônicos”. Como
costumam propor os Ministérios da Saúde e Educação, eles tem seus ditos
“técnicos” que na verdade desconhecem do assunto, e não se interessam em
conhecer a realidade das famílias e dos deficientes. A politicagem está na
própria APAE cuja federação nacional está sob o controle do Deputado
Federal Flavio Arns (PT/PR).
6- Quem somos e quantos somos
Somos pais e mães de autistas, dos mais diversos estados e condições sócio
culturais. O autismo não escolhe raça, credo e nem cor. Atinge o filho do
milionário e o filho do favelado, do intelectual e do ignorante. De acordo
com as últimas pesquisas em cada 500 crianças, uma é autista, acredito que
muitos nem sequer saibam o diagnóstico correto de seus filhos, pois até
isto lhes é negado. Quanto antes iniciarmos o atendimento, melhores as
chances de progresso.
Estima-se em torno de 350 mil em todo o país, não há estatísticas
completas, para se ter uma idéia da ignorância a cerca deste tão sério e
grave tema, mesmo o MEC, em seu site site, na página de educação especial
não menciona o autismo. Criam a ilusão de que o problema não existe.
7 - O que o Poder Público tem feito
NADA.
Na Secretaria de Educação Especial, no Corde, em em outras dezenas de
siglas, a resposta é sempre a mesma, “nada”. Claro que, dita de outra
forma, como por exemplo: "Estamos verificando" "Teremos uma reunião",
“Abriremos uma subcomissão", “Criaremos uma nova coordenadoria”, etc.."
Referências sobre o tema:
www.autistas.org
www.especialmenteser.hpg.com.br
www.ama.org.br
www.cedipod.org.br
www.autism.com
Na expectativa de providências para milhares de crianças e adolescentes,
aguardamos pronunciamento,
Em 31 de Julho de 2002
Atenciosamente,
Pedro Penha
pedropenha@hotmail.com
Anexos:
- Sobre o (des)atendimento das crianças especiais.
O QUE É NECESSÁRIO
Primeiro, para aqueles que não podem frequentar uma sala de aula normal,
“Salas de Educação Especial”, em escolas públicas, como já determina a lei
(que só é cumprida em ações judiciais, vide link abaixo).
- Para pacientes que necessitem de fonoaudiologia, fisioterapia,
psicologia, neurologia e odontologia especial, postos de atendimento com
equipe multidiciplinar.
- Maior “vigilância” a estas instituições, vigilância real para não
submeter os pais e pacientes às humilhações e desatendimentos atuais. Além
da prestação de contas de forma pública e acessível à população.
- Fazer chegar as informações as camadas mais carentes da população.
O Tempo corre contra a estas crianças. É preciso ação, de nada valem
siglas como CORDE, CAPE, Secretaria de Educação Especial se não fazem
nada, além de engordarem a folha de pagamento do governo, sem prestarem os
serviços que supostamente deveriam prestar.
Se qualquer cidadão consultar (como um pai) estas mesmas “siglas”,
receberá, se muito, respostas vazias, sem qualquer conteúdo.
Se procurar (como um pai) um das entidades mencionadas, prepare-se seu
coração, vai doer muito!!!
Ao final pergunto, quem realmente é deficiente nesta história, a criança
doente ou as instituições que as recebem?
Quem de fato é autista, vive num mundo próprio, a criança doente ou as
entidades e instituições?
Quem de fato é cego ou não pode agir?
Quem está preso a uma cadeira o funcionário público ou o deficiente?
Qual de nós está isento disto, hoje ou amanhã, em nós , em nossos filhos,
netos, ...
Referências:
Links para a decisão judicial completa, favorável aos autistas:
Primeira parte
http://cf6.uol.com.br/consultor/view.cfm?id=9250&ad=c
Segunda parte:
http://cf6.uol.com.br/consultor/view.cfm?id=9251&ad=b
Última parte do texto da decisão judicial favorável aos autistas, da qual
o governo “vergonhosamente” já recorreu:
http://cf6.uol.com.br/consultor/view.cfm?id=9252&ad=b
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