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Monografia
- Fulvia Binda |
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Considerações Teóricas Sobre a Síndrome de Asperger e Autismo |
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Perspectivas Práticas Fonoaudiológicas junto a Portadores da Síndrome de
Asperger |
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(Resumo)
# INTRODUÇÃO:
A escolha do tema se deu pela necessidade de expansão da caracterização da
mesma e principalmente pela necessidade de conhecimento da atuação
Fonoaudiológica em portadores dessa Síndrome, tendo como objetivo a
fundamentação teórica, através de pesquisa bibliográfica a fim de
caracterizar a Síndrome de Asperger e realizar uma investigação, buscando
as possibilidades de aprofundar conhecimentos sobre tal assunto, tão
raramente encontrado na literatura.
Nesse trabalho, procurei descrever as características da Síndrome de
Asperger, e relacionar as informações contidas na literatura, frente a
indivíduos portadores desta Síndrome, especificando assim, o quadro
clinico, a evolução, o tratamento e prognostico da mesma.
Realizei a busca bibliográfica sobre o Autismo, patologia pela qual se
iniciou a descoberta da Síndrome de Asperger, a qual considero intrigante
e desafiadora.
As perspectivas da atuação fonoaudiológica neste trabalho, foi abordado
como principal objetivo o trabalho com a linguagem.
# LITERATURA
A Síndrome de Asperger foi inicialmente descrita sob o título de
“Psicopatia autística” pelo médico austríaco HANS ASPERGER em 1944, porém
seu trabalho só foi reconhecido internacionalmente na década de 90, no
“Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Desordens Mentais”
(DSM-IV,1994).
Em 1971, o estudo de ASPERGER foi apresentado em inglês, por KREVELEN,
alcançando somente maior divulgação a partir da publicação cientifica de
WING (1981), que citou primeiramente o termo Síndrome de Asperger, onde
descreveu um grupo de crianças e adultos que possuíam características
semelhantes ás descritas por ASPERGER.
ASPERGER ao descrever a Síndrome, já chamava a atenção para as semelhanças
entre o quadro dos pacientes com Autismo descritos por KANNER em 1944 e os
pacientes por ele descritos, porem, persistia de forma clara, que as
mesmas apresentavam quadros distintos, diferindo uma da outra,
principalmente quanto à severidade dos sinais e sintomas presentes. Os
pacientes descritos por KANNER e ASPERGER apresentavam fracas interações
sociais, dificuldades de comunicação e fixações.
ASPERGER (1944) discutiu em seu trabalho que indivíduos com a Síndrome de
Asperger tem muitos dos comportamentos que serão apresentados a seguir:
* LINGUAGEM: a fala lúcida antes dos 4 anos; gramática e vocabulário
normalmente são bons, fala ás vezes é formal e repetitiva; a voz tende a
ser plano e “emotionles”;as conversações revolvem ao redor do ego.
* COGNIÇÃO (APRENDIZAGEM): obcecado com tópicos complexos, musica,
histórias, debates, etc; freqüentemente descrito como excêntrico. O Q.I
(quociente de inteligência) varia no espectro, muitos são abaixo do normal
em habilidade verbal e acima da média em habilidade de desempenho.
Pensamento concreto (contra abstrato). Muitos têm problemas de escrita,
dificuldade com matemática e podem apresentar dislexia. Falta-lhes senso.
* COMPORTAMENTO: movimentos tendem a ser desajeitados – socialmente atento
nas exibições, interação recíproca imprópria. Problemas sensórios, parecem
não ser tão dramáticos quanto os indivíduos com outras formas de autismo.
Investigadores acreditam que a Síndrome de Asperger é provavelmente
hereditária porque muitas famílias informam ter um “parente estranho” ou
dois. Além disso apresentam freqüentemente depressão e desordem bipolar. A
maioria dos indivíduos portadores dessa Síndrome têm vidas produtivas,
vivendo independentemente, trabalhando efetivamente (muitos são
professores de faculdade, programadores de computador e profissionais
liberais) e constituem família (Síndrome de Asperger – on line).
Os sintomas da Síndrome de Asperger podem ser observados já em idades
precoces, não sendo incomum que alguns casos, somente na adolescência ou
inicio da vida adulta é que algum evento maior como fracasso escolar ou
alguma patologia psiquiátrica sobreposta chama a atenção dos familiares.
Uma área sempre comprometida é a interação social. Quando bebê mostra-se
quieto, isolado, respondendo pouco aos estímulos ambientais, não demonstra
prazer em ficar na presença dos pais e é difícil de ser confortado quando
irritado ou chorando. A tendência ao isolamento se mantém, em grau
importante em idades avançadas, fazendo com que a criança tenha
dificuldades de fazer amigos e utilizar regras que regem a sociedade.
SCHARTZMAN (1991) afirma que o desenvolvimento motor pode ser normal ou
atrasado, ou pode haver atraso em algumas aquisições como a marcha por
exemplo. Diferente do que ocorre com a maioria das crianças com autismo
clássico. Os pacientes são desajeitados e apresentam dificuldades
psicomotoras óbvias. Por este motivo, freqüentemente não se interessam por
atividades esportivas.
A comunicação está sempre comprometida, pode haver atraso no inicio da
fala, se estabelecido por volta dos 3 a 4 anos de idade, uma fase onde as
dificuldades fonoarticulatórias são bastante evidentes, porém vencidas
estas etapas iniciais, a fala se desenvolve e a criança adquire
rapidamente um vocabulário. A criança fala de forma pedante, usando
palavras difíceis, não são esperados para a idade ale, de construções de
frases rebuscadas. O desempenho da fala, em geral, é apenas aparente, uma
vez que se utiliza dela de forma estereotipada e repetitiva. Pode haver
uma fase inicial em que a ecolalia é freqüente, embora nunca tão acentuada
quanto no autismo típico, apresentam fala peculiar com alterações no
ritmo, altura e timbre, tendo-se a impressão de que a criança fala com
sotaque estrangeiro, a compreensão esta sempre comprometida.
ASPERGER (1944) reconheceu que embora os sintomas e problemas mudem com o
tempo, o problema geral raramente acaba. Ele escreveu que “no curso do
desenvolvimento , certas características predominam ou recuam, de modo que
os problemas apresentados mudam consideravelmente. Todavia, os aspectos
essenciais permanecem inalterados. Na primeira infância, existe
dificuldade em aprender habilidades simples e adaptação social. Estas
dificuldades surgem do mesmo distúrbio que cause problemas de conduta e
aprendizado na idade escolar, problemas de desempenho no trabalho na fase
adolescente, conflitos sociais e conjugais na fase adulta”.
# AUTISMO – CONCEPÇÕES TEÓRICAS
Utilizado pela primeira vez em 1911, o termo autismo foi derivado da
palavra “autos” que em grego significa “o próprio individuo”.
O autismo também tem uma definição mais formal, que lhe foi dada por
RAPIN, em 1991, que diz: “Síndrome comportamental, presente desde fases
iniciais da vida e caracterizada por deficiência de interação social,
linguagem, comunicação e atividades”.
Ainda podemos encontrar outras definições para o Autismo, mas o mérito
para as primeiras definições cabe ao pediatra americano LEO KANNER, que se
voltou aos estudos da psiquiatria e publicou em 1943 um artigo intitulado
“Distúrbios Autísticos do contato Afetivo". Este estudo foi elaborado a
partir de 11 casos por ele observado.
As primeiras teorias a respeito da etiologia do autismo, diziam que ele
resultava de déficits específicos no cuidado e na interação dos pais com a
criança, e que deu origem ás chamadas “Disfunções do Ego”, e o tratamento
recomendado era psicoterapia do indivíduo, dos pais e/ou ambos.
Existem várias teorias que tentam explicar a causa do autismo, porém,
nenhuma delas foi realmente comprovada, e sua etiologia continua
desconhecida. Acredita-se que é mais provável que sua etiologia seja uma
condição decorrente de um mecanismo multifuncional, determinado pela
associação de fatores genéticos e não genéticos.
As características e a gravidade do autismo variam de acordo com a idade
do indivíduo e seu nível de desenvolvimento.
Segundo RAPIN & WOLFF (1991), é fundamental que os sinais e sintomas sejam
evidentes nos três primeiros anos de vidas, apesar de na maioria dos
casos, o desenvolvimento parecer normal no primeiro ano de vida. Essas
características são inúmeras, porém , a seguir, serão citadas as mais
importantes:
* As crianças podem não atender a um chamado, estando ou não entretido com
um brinquedo;
* Durante muito tempo acreditou-se que existia uma diminuição do contato
olho a olho, porém, SMONOFF & RUTTER (1996) e ESTERNER (2001), relatam que
atualmente, sabe-se que o prejuízo não está na intensidade desse contato,
mas sim no seu uso como sinalização social;
* Quanto frustradas ou quando se encontram em situações que podem causar
medo ou tensão, as crianças autistas, em geral, são incapazes de olhar
para o rosto de um adulto, para buscar informações de como interpreta-lo;
* Costumam ignorar ou interpretar de forma inadequada seus sentimentos e
dos outros. RAPIN (1991) afirma que muitas não sabem fazer amizades, porém
quando adultos, demonstram incomodo com seu isolamento social;
* Algumas crianças se relacionam exclusivamente com suas mães, naco
suportando a separação física ou mesmo insistindo em que elas as
carreguem, apesar de serem capazes de andar;
* Não fazem uso do balbucio, algumas podem até permanecer mudas, enquanto
outros adquirem fala tardiamente e monótona, ou até mesmo cantando. Ou
ainda falar incessantemente sobre um mesmo assunto. A ecolalia também é
freqüente e pode ser tardia;
* Costumam utilizar a 3° pessoa do singular ou seu nome para referir-se a
sim mesma e não utiliza o pronome “eu”;
* Possuem inabilidade na prosódia, muitas com capacidade de comunicação
verbal, não iniciam ou participam de conversa visual com o interlocutor;
* A linguagem pragmática também é diferente no autista, é raro que ele
aponte objetos ou utilizem gestos;
* Costumam apresentar estereotipias, aparentemente sem propósito;
* Em geral, a aspecto físico de um autista é normal, apesar de alguns
estudos demonstrarem maior incidência de sinais dismórficos secundários,
entre eles, a microcefalia e o hipertirolismo;
# EVOLUÇÃO E PROGNÓSTICO:
Dependem muito da gravidade, da disfunção cerebral e conseqüências sobre a
cognição e comportamento em geral.
Assim como RAPIN (1991), GILBERG (1990) afirma que alguns sintomas
específicos, como a epilepsia, o déficit de atenção, parece responder a
terapia medicamentosa, porém, ainda é indicado o tratamento com
profissionais especializados e educação especial, ainda que não é
totalmente satisfatório. pelo fato de não definir a cura e a falta de
compreensão sobre a fisiopatologia do autismo dificulta muito o
tratamento.
O diagnóstico, prognóstico e tratamento do autismo, e exclusivamente
clinico. Portanto, o aprofundamento dos estudos sobre esta patologia por
parte dos profissionais é de fundamental importância para a intervenção
precoce das terapias de reabilitação e educação especial, que de longe é
satisfatória para a cura, porém, melhora e muito, o comportamento do
indivíduo.
# DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE A SÍNDROME DE ASPERGER E AUTISMO
As características diagnósticas de autismo Infantil e Asperger, realizadas
pelo DSM-V, estão bem delimitadas e os autores não apresentam dificuldades
quanto ao diagnóstico diferencial entre esses quadros. Os resultados das
pesquisas apontam para uma harmonização de que o portador de Síndrome de
Asperger apresenta um melhor rendimento que o portador de Autismo. Os
autores são concordantes em que a diferença primordial entre os quadros se
refere à época de detecção da patologia e a época do diagnóstico dos
quadros.
O Transtorno Autístico é definido pelo DSM-V como: “Presença de um
desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social
e comunicação e um repertório marcante restrito de atividades e
cronológica do indivíduo”.
O Transtorno Autista pode ser chamado, ocasionalmente de Autismo Infantil
Precoce, Autismo da Infância ou Autismo de Kanner.
A Síndrome de Asperger é classificada pelo DSM-V como: “Transtorno
Invasivo do Desenvolvimento, caracterizado por prejuízos severo e invasivo
em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social
recíproca, habilidades de comunicação, ou presença de comportamento,
interesses e atividades estereotipadas. Os prejuízos qualitativos que
definem essas condições representam um desvio acentuado em relação ao
nível de desenvolvimento ou idade mental do indivíduo. Em geral se
manifestam nos primeiros anos de vida e freqüentemente estão associados
com algum grau de Retardo mental, que, se presente, deve ser codificado no
Eixo II ( Distúrbios de Desenvolvimento e Distúrbios de Personalidade). Os
Transtornos Invasivos do Desenvolvimento são observados, por vezes, com um
grupo de várias outras condições médicas gerais ( por ex. anormalidades
cromossômicas,, infecções congênitas e anormalidades estruturais do
sistema nervoso central). Caso essas condições estejam presentes, elas
devem ser registradas no Eixo III (Distúrbios de condições físicas).
Embora termos como “psicose” e “esquizofrenia da infância” já tenham sido
usados com referencia a indivíduos com essas condições, evidencias
consideráveis sugerem que os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento são
distintos da Esquizofrenia”.
As maiores dificuldades parecem ocorrer na diferenciação entre os
portadores de autismo com bom nível de rendimento intelectual e os
portadores da Síndrome de Asperger.
# DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE A SÍNDROME DE ASPERGER E AUTISMO DE BOM
RENDIMENTO INTELECTUAL (ABNRI)
Verifica-se que através das pesquisas correlacionadas, muitos autores
buscam esta diferenciação diagnóstica, como intuito de desenvolver formas
mais adequadas e eficazes de tratamento. Porém não encontraram um consenso
até hoje.
Várias pesquisas buscaram verificar se existe diferença entre a Síndrome
de Asperger e o Autismo com Bom Nível de Rendimento Intelectual (ABNRI).
SCHWARTZMAN (1995:18) não diferencia a Síndrome de Asperger de ABNRI e
considera que o quadro de Autismo Infantil pode variar de acordo com os
graus de severidade com que os sinais e sintomas podem se manifestar, e
desta forma é favorável a que seja considerado em um contunum de quadros
autísticos que variam em termos de comprometimento nas áreas da interação
social, comunicação e comportamento, de severo, com profundo retardo
mental associado, ao autismo moderado e chegando aos quadros de ABNRI ou
Síndrome de Asperger.
Pelas pesquisas realizadas pode-se perceber que os autores ainda divergem
quanto a Síndrome de Asperger ser classificada enquanto um quadro
diferenciado ou não do ABNRI. Isto implica em categorizar a Síndrome de
Asperger enquanto uma entidade nosológica independente do autismo.
O que se verifica pelas pesquisas mais recentes é de que há uma tendência
da Síndrome de Asperger ser considerada como uma entidade nosológica
distinta do ABNRI, os autores argumentam que a pessoa portadora de
Síndrome de Asperger apresenta uma sintomatologia mais branda que o ABNRI,
ou seja, os sintomas autísticos aparecem mais tardiamente, geralmente tem
uma inteligência mais elevada, desenvolvimento precoce da fala, e
comportamento comunicativo menos perturbado ou mesmo aparentemente normal.
Parece que a diferenciação proposta pelo DSM-V para a exclusão do
diagnóstico da Síndrome de Asperger quando existir evidências de quadros
nosológicos como Autismo, Transtorno de Rett, Transtorno Desintegrativo da
Infância, Transtorno Obsessivo compulsivo e Transtorno da Personalidade
Esquizóide e outros Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, preenche as
necessidades de diferenciação entre os quadros para os profissionais da
área. A maioria dos autores concordam que a Síndrome de Asperger pode
coexistir com outras patologia, tais como Epilepsia, Retardo Mental, etc,
sem que obrigatoriamente estas sejam incorporadas enquanto características
clínicas do quadro da Síndrome de Asperger.
Verificou-se também, que não existem tantas divergências entre os autores
quanto a descrição do quadro nosológico da Síndrome de Asperger e sim,
ainda existe, dificuldade no diagnóstico diferencial entre a Síndrome de
Asperger e ABNRI, porém, esta dificuldade diagnóstica não esta trazendo
problemas para o tratamento desses quadros.
# PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA JUNTO AOS PORTADORES DE SÍNDROME
DE ASPERGER
Sabemos que o período esperado para a aquisição de linguagem é por volta
de 1 a 2 anos de idade e embora saibamos disso, vimos como é tardia a
procura por um atendimento fonoaudiológico, mesmo quando as alterações de
linguagem são presentes.
A intervenção precoce é muito significativa, sabemos que, realmente,
quanto mais cedo os problemas puderem ser detectados, maiores serão as
possibilidades de intervenção e superação dos mesmo, e que mesmo não
havendo “cura”, há uma melhora acentuada e significativa dessas
alterações.
Devemos estar atentos aos níveis de desenvolvimento normal da linguagem da
criança, para que possamos intervir de maneira correta e eficaz, não
esquecendo também da aquisição das condutas simbólicas, uso convencional
dos objetos, esquemas simbólicos, aplicação das ações em outros, entre
outras características observáveis.
Para podemos observar o comportamento dessas crianças, é importante seguir
um parâmetro dos aspectos a serem avaliados. Esses aspectos podem ser
avaliados em crianças que ainda não chegaram ao nível lingüístico de
desenvolvimento. Assim, é mais apropriado falarmos em uma avaliação global
de processos ligados ao desenvolvimento, são eles: capacidades cognitivas,
habilidades sociais e níveis de comunicação.
É interessante que na avaliação, se utilizem materiais que despertem o
interesse da criança e ainda oferece-lo para que a mesma manipule, sem que
o fonoaudiólogo assuma uma postura diretiva.
O examinador deve incentivar a criança a explorar o objetivo e assumir
comunicativas, além de colocar-se no papel de observador, podendo
solicitar aos pais ou acompanhantes que brinquem com a criança, de modo
como estão acostumados a fazer, agindo de forma natural e espontânea.
Neste momento, deverão ser observados os seguintes aspectos:
* Aspectos cognitivos
* Atribuição de significados
* Imitação vocal e motora
* Níveis de desenvolvimento
* Recursos expressivos
* Atitudes comunicativas dos pais, entre outros
É importante destacar que as crianças, embora não tenham um
desenvolvimento de linguagem dentro do esperado, isso pode variar, pois á
uma seria de fatores que interferem nesse desenvolvimento, tais como:
ritmo de desenvolvimento de cada um, tipo e modo de estimulação, condições
emocionais, maturidade social, hereditariedade, patologias, entre outros
fatores.
Segundo ZORZI (1991) um dos parâmetros utilizados para a caracterização do
Retardo de Aquisição de Linguagem, diz respeito a idade. As crianças de 2
anos, que ainda não adquiriram a linguagem, merecem uma atenção especial,
já que vimos que por volta do primeiro aniversário a criança já começa a
ensaiar as primeiras palavras.
Isso se refere ao Retardo de Aquisição de Linguagem, porém, devemos falar
também em Retardo do Desenvolvimento da Comunicação que atinge os níveis
lingüísticos, cognitivos a serem observados no bebê ainda pequeno.
Esses retardos são divididos em Retardo de Linguagem, fazendo parte do
Atraso Global do Desenvolvimento e Retardo Simples de Linguagem, porém,
existem diretrizes a serem seguidas que foram propostas para crianças que
apresentem Distúrbios de Comunicação em geral, e como já foi dito, o
objetivo do trabalho terapêutico é solucionar problemas e não se fixar em
patologias, portanto, essas diretrizes deverão ser consideradas não
somente em portadores de Síndrome de Asperger, mas também em quaisquer
patologias ou distúrbios que apresentem esta tipo de alteração.
# CONCLUSÕES
As características marcantes da Síndrome de Asperger são:
* Falta de empatia
* Interação inapropriada, ingênua ou unilateral
* Pouca ou nenhuma habilidade de estabelecer amizades
* Linguagem pedante ou repetitiva
* Comunicação não verbal pobre
* Fixações
* Movimentos desajeitados e pouco coordenados e postura estranha
* O diagnóstico da Síndrome de Asperger é difícil, porque pode gerar
confusão com o Autismo e Retardo do Desenvolvimento Global da Linguagem
* O Prognóstico da intervenção junto a Síndrome de Asperger varia de
indivíduo para indivíduo e depende de estímulo e terapia adequados.
# COMENTÁRIOS
Temos visto que na pratica da Clinica fonoaudiológica a demanda com
portadores da Síndrome de Asperger tem sido cada vez mais presente, porém
não encontramos profissionais especializados nesse assunto.
No início da pesquisa bibliográfica, me senti envolvida pela insuficiência
de subsídios teóricos, porém decidi encaram esta dificuldade como um
desafio e percebi que, persistindo poderia de alguma forma contribuir p
ara a caracterização, identificação e informação sobre a Síndrome de
Asperger, acrescentando assim, não só maiores conhecimentos para mim
mesma, como também para pais e profissionais que precisem de uma fonte de
pesquisa.
Sei que esse trabalho, é apenas o inicio de uma grande jornada, porém,
espero que com ele, outras pessoas se interessem pelo assunto e façam
desta, um ponto de partida a fim de aprofundar o tema e descobrir outras
maneiras de como identificar, reconhecer e tratar de indivíduos portadores
da Síndrome de Asperger e de tantas outras que existem.
Fulvia Binda
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