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IDEA
(Individuals with Disabilities Education Act)
Lei de Direito
à Educação dos Deficientes nos Estados Unidos |
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EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS:
UMA "IDÉIA" QUE EVOLUI
Leslie Seid Margolis
No decorrer dos últimos 25 anos, a face da sociedade americana mudou, na
medida em que membros anteriormente invisíveis - pessoas com
deficiências - começaram a sair de trás das portas fechadas das
instituições, dos hospitais, e das suas casas. Eles procuraram obter
acesso aos direitos e privilégios que os demais membros da sociedade
usufruíam, como a possibilidade de freqüentar escolas, conseguir
empregos, fazer amigos e fazer parte da comunidade.
Boa parte dessas mudanças resulta de leis federais (do governo dos
Estados Unidos), como por exemplo a Seção 504 da Lei de Reabilitação de
1973 [Rehabilitation Act of 1973], a Lei Sobre a Educação de Indivíduos
com Deficiências [Individuals with Disabilities Education Act] (IDEA), e
a Lei dos Americanos Portadores de Deficiências [The Americans With
Disabilities Act] (ADA), de 1990. Cada um desses instrumentos legais
contribuiu para que se começasse a romper as barreiras físicas e
psicológicas que têm isolado e segregado as crianças e os adultos com
deficiências. Este artigo se concentra nas mudanças na educação causadas
pela promulgação inicial, e posterior reautorização, da IDEA
[
http://www.ed.gov/offices/OSERS/IDEA/the_law.html].
No início da década de 1970 a 1980, os pais das crianças com
deficiências em alguns estados começaram a mover ações para obrigar as
redes de ensino a proporcionar educação para seus filhos. Dois dos casos
que exerceram mais influência, PARC contra a Pensilvânia [PARC v.
Pennsylvania] (1971) e Mills contra a Secretaria de Educação do Distrito
de Colúmbia [Mills v. District of Columbia Board of Education] (1972),
resultaram na promulgação da Lei Sobre a Educação de Todas as Crianças
Deficientes [Education of All Handicapped Children Act] (EAHCA), o
instrumento legal que precedeu a IDEA. Por ocasião da promulgação da
EAHCA em 1976, chegou ao conhecimento do Congresso dos Estados Unidos
que havia mais de oito milhões de crianças com deficiências nos Estados
Unidos. Mais da metade não estava recebendo serviços de educação
apropriados. Desses oito milhões, um milhão de crianças estavam
completamente excluídas da escola. Além disso, muitas crianças que
estavam freqüentando as escolas normais não estavam indo bem nos estudos
porque possuíam deficiências que não haviam sido detectadas.
A EAHCA determinava que os estados que quisessem participar deste
programa, que recebia assistência do governo federal, proporcionassem
uma "educação pública gratuita e apropriada" no ambiente "menos
restritivo possível", para cada criança ou jovem de até 21 anos de idade
cuja deficiência prejudicasse sua capacidade de se beneficiar da
educação, e que necessitasse de educação especial e serviços
relacionados, para progredir nos estudos. Esse instrumento legal
estabeleceu alguns requisitos no que se referia a procedimentos, que
deveriam ser implementados pelas redes de ensino estaduais e municipais,
além de salvaguardas para proteger os direitos dos alunos e dos pais. Ao
promulgar a lei, o Congresso fez com que a individualização dos serviços
se tornasse o alicerce de uma educação apropriada, exigindo que fosse
desenvolvido um plano de educação individualizada [individualized
education plan] (IEP) para cada criança que recebesse educação especial.
O IEP deveria conter objetivos anuais e objetivos de curto prazo que
serviriam de programação para a educação da criança, tendo como base as
suas necessidades individuais. Além disso, embora os estados devessem
assegurar a disponibilidade contínua de opções de programas para que
todas as crianças fossem adequadamente atendidas, a EAHCA determinou uma
preferência pela colocação da criança no ambiente menos restritivo no
qual o IEP pudesse ser implementado, e exigia que a criança não fosse
removida da sala de aula normal, a não ser que ela não pudesse receber
uma educação satisfatória, mesmo com o uso de recursos didáticos e
serviços complementares. A lei não definia recursos didáticos e serviços
complementares; no entanto, os exemplos incluem ajuda na sala de aula ou
ajuda individual, modificações físicas na sala de aula, dispositivos
tecnológicos ou equipamentos, e modificação de currículos.
A EAHCA foi extremamente importante na abertura das portas das escolas
para as crianças com deficiências, e no estabelecimento de uma série de
proteções sob a forma de procedimentos para reger a educação que era
proporcionada a essas crianças. No entanto, quando a Suprema Corte dos
Estados Unidos realizou a sua primeira análise da EAHCA, o instrumento
não tinha como objetivo garantir nenhum resultado específico a partir do
momento em que as crianças ingressassem na escola. Embora as crianças
com deficiências, que nunca haviam sido atendidas, e outras que vinham
recebendo até então um atendimento insuficiente, tivessem começado a
receber educação especial e os serviços a ela relacionados, como terapia
ocupacional e física, assistência médica, fonoaudiologia e
aconselhamento psicológico, entre outros, elas não saíam necessariamente
da escola, aos 18 ou 21 anos, em condições de levar uma vida
independente ou produtiva. Na verdade, muitas crianças e jovens com
deficiências, especialmente aquelas com sérios problemas emocionais ou
dificuldades de aprendizado, não conseguiam concluir os estudos com
sucesso.
A EAHCA foi reautorizada várias vezes, com uma série de emendas que
regiam questões como serviços antecipados de intervenção para bebês e
crianças em idade pré-escolar, honorários advocatícios para as famílias
que questionassem - e que fossem bem sucedidas - os programas de
educação especial dos seus filhos, e o acréscimo de certos serviços
(como planos de transição para alunos mais velhos e tecnologia
assistencial), o acréscimo de certas deficiências que poderiam dar às
crianças que as possuíssem acesso à educação especial (como lesões
traumáticas no cérebro e autismo), e mudanças na nomenclatura para
reconhecer o uso - recentemente descoberto pela sociedade - da palavra
"deficiência" no lugar de "incapacidade" [N. do T.: "disability" e "handicap",
respectivamente, no original]. Por ocasião da reautorização de 1990, o
nome do instrumento legal foi mudado de EAHCA para IDEA.
As emendas mais significativas e abrangentes ocorreram em 1997, depois
de dois anos de intensa e às vezes amarga controvérsia. Embora as
emendas de 1997 representem, sem dúvida, um instrumento legal de caráter
conciliatório, as conclusões do Congresso ao reafirmar a IDEA nos
permitem perceber até que ponto a sociedade americana evoluiu em termos
das suas expectativas quanto às pessoas com deficiências, e o seu
reconhecimento de que a educação especial é apenas uma parte do sistema
de educação da nação, e não um sistema separado e independente.
O Congresso concluiu, em parte, que a educação das crianças com
deficiências pode se tornar mais eficaz se as seguintes providências
forem tomadas:
O estabelecimento de altas expectativas para elas e a garantia de que
elas tenham acesso ao currículo geral, tanto quanto possível.
O fortalecimento do papel desempenhado pelos pais e a garantia de que as
famílias tenham oportunidades significativas de participar na educação
dos seus filhos na escola e em casa.
A coordenação da IDEA com outros esforços para a melhoria do sistema
escolar em nível municipal, estadual e federal, para garantir que os
alunos com deficiências se beneficiem de tais esforços, de modo que a
educação especial possa se tornar "um serviço prestado às crianças, em
vez de um lugar para onde elas são enviadas."
O provimento de educação especial apropriada e dos serviços e recursos e
instrumentos de apoio relacionados, na sala de aula normal, sempre que
isso for apropriado.
O apoio ao desenvolvimento profissional de alta qualidade.
A melhoria dos esforços de recrutamento para trazer mais professores que
sejam membros das minorias, para o ambiente da educação especial.
Essas conclusões do Congresso são particularmente significativas porque
elas reconhecem que as baixas expectativas quanto aos estudantes com
deficiências e o treinamento profissional inadequado podem prejudicar ou
impedir um progresso educacional significativo, e porque elas reconhecem
que o contexto no qual as crianças recebem a educação especial é o
sistema educacional como um todo. Portanto, é essencial que a educação
especial seja levada em consideração e incluída em quaisquer esforços
referentes a uma reforma na educação. Além disso, as conclusões do
Congresso são importantes porque elas refletem o que as famílias, os
profissionais e a sociedade em geral aprenderam nos últimos anos a
respeito dos benefícios para todos quando os alunos com deficiências
recebem os seus serviços de educação especial em salas de aula comuns,
convivendo com os colegas que não possuem deficiências.
As emendas de 1997 instituíram uma série de mudanças que se destinam a
fortalecer o IEP como o alicerce da educação da criança. Por exemplo, a
equipe multidisciplinar responsável pelo desenvolvimento do IEP de uma
criança deve examinar uma série de fatores referentes ao aluno, como:
necessidades de comunicação se ele for surdo; a necessidade de apoio e
estratégia comportamental positivos se o seu comportamento representar
um impedimento à sua capacidade de aprender ou a capacidade dos outros
alunos de aprender; a necessidade de dispositivos e serviços de
tecnologia assistencial; e necessidades de comunicação se ele ou ela não
for proficiente em inglês. Além disso, a IDEA, agora parte da premissa
de que os alunos que são cegos ou deficientes visuais aprenderão Braille
a não ser que a equipe possa justificar uma decisão diferente.
Os aperfeiçoamentos da IDEA em 1997 também especificavam, pela primeira
vez, que o IEP deve incluir os instrumentos de apoio e serviços
programáticos necessários para os funcionários da escola, para que a
criança possa freqüentar uma sala de aula comum, em vez de apenas os
serviços e instrumentos de apoio que devem ser fornecidos à criança em
questão. Trata-se de um acréscimo particularmente significativo à IDEA.
Freqüentemente, com treinamento, apoio, acesso a recursos ou até mesmo
uma modificação como uma turma menor na sala de aula, as crianças podem
ser educadas com bons resultados em salas de aula comuns. Esses serviços
e instrumentos de apoio, no entanto, talvez nem sempre tenham estado à
disposição dos funcionários da escola. Ao tornar a consideração de tais
instrumentos de apoio e serviços programáticos parte do processo do IEP,
os funcionários devem ser capazes de conseguir com mais facilidade o que
for necessário para atender às crianças de maneira adequada, sem
segregá-las em classes separadas, isoladas, de educação especial.
Em um esforço para garantir melhores resultados para os alunos com
deficiências, a IDEA de 1997 determina a participação de alunos com
deficiências em avaliações em nível estadual e municipal. Os estados
devem desenvolver programas adequados de teste para os alunos que não
puderem participar, mesmo com adaptações, no programa regular de testes.
Além disso, o planejamento para a transição deve começar quando a
criança tiver menos idade, para aumentar a possibilidade de o aluno
passar os anos de escola secundária envolvido de maneira produtiva no
processo da mudança das iniciativas escolares para as pós-escolares.
A reautorização de 1997 tratava, pela primeira vez, da questão da
disciplina dos alunos com deficiências. Esta, sem dúvida, foi uma área
de grande controvérsia durante o processo de reautorização. Embora as
redes de ensino, agora, tenham muito mais liberdade de remover crianças
com deficiências da escola, a IDEA estipula algumas salvaguardas e
requisitos estatutários que devem ser atendidos em um esforço para
garantir que as crianças não sofram discriminação tendo como base a sua
capacidade. As crianças que tiverem sido removidas do seu programa
escolar ainda têm o direito de receber uma educação pública, gratuita e
apropriada. No entanto, essa educação pode ser proporcionada em um
ambiente alternativo - um ambiente que possa oferecer à criança o acesso
ao currículo geral, implementar o seu IEP, e tratar da questão do
comportamento da criança, de modo a minimizar ou eliminar a
possibilidade de a criança apresentar, novamente, o comportamento que
deu motivo à sua remoção da escola.
A IDEA, como muitos outros instrumentos legais nos Estados Unidos,
provocou muitos comentários, controvérsias, e disputas legais no
decorrer dos 23 anos da sua história. O processo legal é freqüentemente
usado para definir os limites dos requisitos estatutários. As
complexidades da tentativa de individualizar a educação das crianças com
deficiências, lidar com orçamentos mais baixos, e tratar das
preocupações das famílias que estão tentando garantir o acesso de seus
filhos a uma educação pública, gratuita e apropriada, fizeram com que a
educação especial se tornasse particularmente suscetível a esse processo
de definição de limites.
Por exemplo, no início de 1999 ou até meados do mesmo ano, a Suprema
Corte dos Estados Unidos deverá anunciar uma decisão referente ao ponto
em que os serviços de saúde na escola, estipulados pela IDEA, terminam,
e em que ponto os serviços médicos não requeridos pela IDEA começam. É
provável que haja litígio a respeito dos novos requisitos de disciplina
da IDEA; além disso, as famílias e as redes de ensino continuarão em
desacordo sobre o que constitui uma educação apropriada para
determinadas crianças. A execução dos requisitos da IDEA nos níveis
municipal, estadual e federal também continuará a ser um dos principais
tópicos de discussão, porque sem um mínimo de execução da lei, os seus
benefícios não podem se concretizar na sua plenitude. É axiomático que
muitos instrumentos legais, especialmente aqueles que lidam com os
direitos civis, não são observados automaticamente, mas exigem um
esforço considerável por parte dos seus beneficiários-neste caso, os
alunos com deficiências e seus pais - para que as garantias se
transformem em realidade. No entanto, as crianças e os seus pais
precisam ser capazes de prever que os órgãos governamentais responsáveis
pela implementação da IDEA farão o seu trabalho de maneira eficaz. A
monitoração e o exercício da pressão para a implementação do instrumento
legal são partes essenciais desse esforço.
Apesar da controvérsia que existe a respeito da educação especial, está
claro que a IDEA criou as condições para que milhões de crianças com
deficiências freqüentassem escolas ao lado dos seus pares não portadores
de deficiências. Afinal a educação especial só é, de fato "especial"
porque ela oferece às crianças portadoras de deficiências a oportunidade
de fazer o que os seus amigos, vizinhos, primos, irmãos e irmãs fazem -
freqüentar a escola, aprender e brincar, tornando-se no devido tempo,
cidadãos com uma formação e membros respeitados da sociedade.
Leslie Seid Margolis é advogada especializada no direito referente à
educação especial, no Centro de Direito Referente às Deficiências [Maryland
Disability Law Center],
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Veja também: |
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Educação - Legislação americana de direito à educação para
deficientes. |
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