|
Meu nome é
Luíza, tenho 2 filhos, Luíz e Luciano, respectivamente 9 e 11 anos. Quando
me casei, o sonho meu e de meu marido era termos filhos. Passado 2 anos
nosso sonho se realizou e nasceu Luciano. Um lindo menino. Não
tardou a eu perceber que havia algo errado com ele, era muito quieto,
olhar sempre distante, não se anhinhava em meu colo, não parecia
importar-se com nada.Comecei as idas e vindas a médicos. Uma crise se
instalou em minha casa, para meu marido o sonho havia se tornado pesadelo.
Ele não aceitava a doença de Luciano.Precisei faltar em meu serviço várias
vezes, por sorte, meu chefe me compreendia e minhas colegas colaboravam.
Aprendi rápido que o preconceito começa em casa. Na família meu irmão e a
tia de meu marido me apoiavam. O diagnóstico de autismo viria a ser
confirmado tempos depois, ainda que já fosse claro.
Quando Luciano tinha 3 anos, nasceu Luiz, um menino alegre, forte e feliz,
ainda hoje é meu anjo da guarda. O nascimento de Luiz segurou por um tempo
a situação já difícil de meu casamento.Era e é a alegria do pai, e Luciano
continuava ignorado .
Nesta época consegui uma vaga para Luciano numa instituição para crianças
especiais, paga pelo banco. Lá ele ficava o dia inteiro e eu, quando saia
do serviço ia buscá-lo.Lá ele aprendeu a andar e quase nada além disto. O
casamento terminou, sozinha segui minha luta, tentando o que pudesse.
Percebi para minha tristeza que a maioria das mães acabavam sozinhas já
que os maridos não aguentavam a situação, não somavam e se pudessem ainda
dividiam. Há dois anos o Banco em que trabalhava fundiu-se com outro e
centenas de funcionários foram demitidos, eu entre eles. Agora, 39 anos,
sozinha, sem emprego, sem clínica para meu filho, a coisa ficou mais
difícil.
Passei a procurar emprego e meu filho menor cuidava do maior. Eu não tinha
outra opção. Meu coração doia só de pensar, mas sem outra alternativa,
saia assim mesmo, procurando emprego, tentando vaga em qualquer função. A
pensão paga pelo pai das crianças não era suficiente, o jeito era tentar
um trabalho mas, se começar a trabalhar, aonde, com quem ficaria Luciano?
E o Luiz, que só tem 9?
Nesta altura minhas colegas do banco ao saber de minha situação fizeram
uma "vaquinha" e passaram a pagar uma senhora para ficar com os meninos em
casa enquanto eu precisasse. Um gesto de amor sem par!!!
Uma outra amiga conseguiu uma vaga para tratamento de Luciano no interior,
uma instituição séria aonde meu filho teria o atendimento que nunca teve.
Consegui vaga para Luiz em uma escola de lá e quando tudo parecia estar se
resolvendo, meu ex -marido tentou na justiça impedir minha mudança. Graças
a Deus, o juiz me deu ganho de causa e ainda exigiu dele uma maior ajuda
mensal pois a pensão estava muito baixa e eu além da mudança ainda estava
desempregada. Fiquei muito feliz. Estou próxima de me mudar. Chegando lá,
vou procurar emprego, sei que estamos em crise , mas Deus é grande e eu
vou arrumar um emprego por lá. O mais importante é o tratamento de
Luciano, Luiz adorou a idéia da mudança, meus amigos e amigas disseram que
vão continuar nos apoiando.
Com tudo isto, lamento que o Brasil não ofereça estrutura de atendimento
sério, que meu filho precisasse esperar 11 anos por uma chance.
Aprendi muito em todos estes anos, agradeço a Deus pelos amigos que tenho,
já que se não fosse eles, não teria conseguido superar tantos momentos
difíceis.
|