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Olá a todos! Gostaria de
dividir com vocês minha história de vida, e minha experiência com o
autismo.
Em novembro de 1995 nasceu René, um menino lindo e aparentemente saudável
. Minha gravidez foi normal do ponto de vista clínico, mas extremamente
conturbada do ponto de vista emocional. Atravessei um período de stress
psicológico muito grande, e até hoje minha mãe aponta este fato como sendo
o causador do problema do meu filho, mas não creio que este tenha sido o
fator desencadeante.
René era uma criança saudável até os dois anos de idade, a única coisa
peculiar que notamos nele era sua hiperatividade. Ele gostava muito de
correr, e por volta dos 18 meses adquiriu uma mania de empurrar e arrastar
cadeiras. Depois dessa primeira mania, muitas outras se seguiram. Ele se
comunicava, falava tudo, mas não respondia a perguntas. Como era meu
primeiro e único filho, não tinha parâmetro para comparar, achava que era
“fase”.
Quando o matriculamos no maternal, ele tinha 2 anos, notei, muito
estarrecida, que crianças daquela idade respondiam perguntas simples do
tipo: Qual o seu nome? Qual é o nome da sua mãe? Foi a partir
desse momento que pude reparar que meu filho era diferente. Nesse período,
René começou a apresentar quadros de sinusite de repetição e tomava
antibióticos quase todo mês. Tinha febre alta de difícil controle, e numa
dessas crises de febre, teve sua primeira convulsão. Fiz o EEG, que deu
alterado e ele iniciou tratamento com o Gardenal (atualmente ele toma o
Tegretol). Resolvi tirá-lo do colégio pois ele estava adoecendo com muita
freqüência.
Como todo pai/mãe de autista, o levamos a vários especialistas e ouvimos
absurdos e todos foram unânimes em dizer que ele não tinha autismo não,
que ainda era muito cedo para fechar esse diagnóstico. Realmente, o René
falava, não era um autista clássico, mas bem sabemos que existem
variações e nuances do expectro autístico. Ele apresentava fixação por
objetos giratórios (seu maior amigo era o ventilador de teto que
possuíamos em casa), apresentava ‘hand-flapping’ sempre que tomava
mamadeira, não respondia, parecia surdo distante e apresentava
hiperatividade.
Fomos salvos pela Internet! Pesquisamos, compramos livros, comprimidos de
DMG-dimetilglicina, e resolvemos implementar um currículo (que tiramos dos
modelos do Dr. Loovas, Applied Behavioral Analisys) para ser seguido pelo
René. Todo dia a babá fazia com ele uma atividade que eu estipulava. Ao
longo de um mês René começou a interagir melhor conosco e pela primeira
vez respondeu a pergunta: Qual é o seu nome. Quase não me contive de tanta
felicidade! A partir desse momento tudo foi melhorando. Contratamos uma TO
que trabalhava com ele 4x/semana e no ano seguinte ele voltou a estudar
(maternal II) em outro colégio.
Nós fomos muito afortunados, pois o René, além de fazer muitos progressos
os conquistou de maneira rápida, e jamais teve regressão. Ele deu
verdadeiros saltos de evolução.
Hoje em dia, o René está com 6 anos e está matriculado em sala de aula
regular cursando a alfabetização. Está começando a ler suas primeiras
palavras, mas na minha opinião a maior vitória que ele conseguiu esse
ano, foi a socialização. Ele busca a companhia de outras crianças, propõe
e participa das brincadeiras. Para mim, essa foi sua maior conquista e
fica até difícil de imaginar como aquela criança de apenas 4 anos atrás se
transformou nesse garoto.
Em termos de tratamento, o René recebe Acompanhamento Terapêutico
2x/semana e também Psicoterapia 2x/semana. Lógico que ainda há muitos
desafios a serem vencidos, ele tem limitações, e o tratamento é contínuo,
mas como todo pai/mãe de autista a nossa luta não acaba, e cada conquista
nos deixa mais fortalecidos.
Boa sorte a todos! Obrigada.
Cynthia Arruda Sales
E-mail
Fortaleza, CE
23/07/2002 |