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Meu
filho Gabriel, hoje com 5 anos, nasceu em Miami/EUA. Seu
desenvolvimento foi por nós considerado normal até os 20 meses de idade,
quando em visita de rotina ao pediatra falamos sobre ele não estar
progredindo (estava regredindo) e deixando de pronunciar palavras que já havia aprendido e que
agora, sequer dizia "sim, não, mamãe, papai" ou qualquer outra
palavra que já fizesse parte de seu vocabulário.
O pediatra então, nos encaminhou para uma clínica chamada Dan Marino
Center, em Weston/FL, administrada pela Universidade de Miami e patrocinada em grande
parte por um famoso jogador de futebol americano chamado Dan Marino.
Diagnóstico
Ele foi
submetido à uma bateria de testes (sangue, urina, X-frágil/dna,
eletroencefalograma, audiometria, etc.) e avaliações por uma equipe
formada por neurologistas, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, pediatras,
etc. O resultado veio logo. o diagnóstico "Autismo".
Programa de Intervenção Precoce
Daí em
diante, fomos atendidos pelo EIP - Early Intervention Program (ou Programa
de Intervenção Precoce). Trata-se de um serviço público e totalmente
gratuito oferecido pelo governo estadual (com recursos federais, estaduais
e locais). Neste programa a criança é atendida por profissionais de
clínicas particulares e recebe todas as terapias, exames, testes, etc.
(inclusive com a opção de atendimento domiciliar) até os 3 anos de idade.
Ao completar 3 anos a responsabilidade passou para o sistema de educação
(equivalente à Secretaria de Educação no Brasil).
Educação Especial
A
transição do EIP para o sistema escolar é automática, e nesta ocasião a
criança é novamente avaliada por terapeutas e demais profissionais da área
de saúde e educação. De acordo com a região onde a família resida, é
agendada uma reunião na escola local com a diretoria da escola, professora
especializada em educação para excepcionais (e especializada em autismo),
professora de alunos não deficientes, representante da secretária de
educação, terapeuta e os pais da criança.
As aulas
começam no dia seguinte à reunião, desde que os pais apresentem a
documentação necessária (previamente solicitada), no caso, atestado de
vacinação e certidão de nascimento.
Ele já
está na escola desde Março/2001, e já nas próximas semanas pudemos notar
avanços significativos em seu comportamento. Apenas duas semanas
após o início das aulas, ele já comia sozinho, ia ao banheiro, trocava
de roupa, etc. por si só, porém sob supervisão. Os resultados da
chamada "intervenção precoce" continuam a nos surprender, cada semana há
uma novidade. Posso dizer que, dentro de seu ritmo próprio, ele só
tem melhorado. A secretaria de educação gratuíta, ainda provê
alimentação e transporte casa/escola/casa, excursões, etc. (fotos
da escola podem ser vistas clicando-se aqui)
Previdência Social
Nos EUA, o
autismo é considerado uma deficiência permanente, pois ainda não é
conhecida e causa ou cura. O governo federal, através do Seguro
Social (equivalente ao INPS no Brasil), provê todos os custos para cobrir
toda e qualquer despesa hospitalar, terapias, pediatras, etc, para o
portador de deficiências de um modo geral, inclusive autismo. Cabe
destacar que nos EUA não existem hospitais públicos como no Brasil.
Aqui os hospitais, clínicas, laboratórios, etc. são privados e o governo
simplesmente "paga a conta" pelos serviços prestados quase como uma
seguradora de saúde. Ou seja, os deficientes tem o mesmo tratamento
recebido pelos ditos, pacientes "pagantes". Não é preciso
enfrentar filas e perâmbular em ônibus, pois inclusive o transporte de
casa para as clínicas, hospitais, etc., também é provido/pago pelo sistema
de saúde.
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