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Conheçam um pouco a vida do nosso Lucas.
Março de 1991. Nasceu Lucas de Moraes Machado. A vinda de um filho
sempre traz esperanças para os pais de ter seus sonhos realizados. Nos
primeiros meses, uma forte bronquite trouxe-nos preocupações, mas logo
descobri que se tratava de alergia ao forte tratamento dado a água. A
partir daí, ele passou a somente beber água mineral, ficando livre da
medicação e se tornando forte e saudável.
A partir da festa do primeiro aniversário, passamos a notar que
Lucas não fixava atenção naquilo que falávamos e, em conseqüência, tinha
dificuldades de aprender suas primeiras palavras. Indagamos ao pediatra
e ele falou que uma criança nunca é igual a outra e era melhor aguardar
mais um pouco. Mas, sabendo da problemática do autismo através do filme
"Meu Filho, Meu Mundo", resolvemos realizar uma série de exames.
Com dois anos e meio, ao fazer o BERA, uma audiometria mais
aprofundada, ele teve um trauma e praticamente emudeceu, deixando de
falar seu reduzido vocabulário. Foi quando os traços do autismo
tornaram-se mais visíveis.
Terapias diversas, como eqüoterapia e natação, são positivas
para fazer o autista retornar ao nosso mundo. Mas, o que notamos, nesses
anos de convivência com o Lucas, é sua extrema agressividade, sem uma
razão aparente, que acabava prejudicando todos os nossos esforços. Ao
lermos sobre distúrbios gastrintestinais em autistas descobrimos que, em
grande parte, seu nervosismo era decorrente de fortes dores, provocadas
por este mal. Pela teoria, estes distúrbios são provocados quando o
autista come alimentos que contém glúten (encontrado em certos grãos
como o trigo) e a caseína (encontrado no leite e derivados). Na prática,
ao evitarmos que Lucas consumisse tais alimentos, ele passou a não
sentir mais dores, tornando-se mais receptivo para assimilar novos
ensinamentos.
Uma fator importante, para evolução dos nossos filhos autistas,
é a harmonia no lar, um tanto difícil nos dias conturbados de hoje. Um
mínimo sinal de desajuste é logo captado por estas crianças e, quando
isto acontece, elas caem em profunda depressão. A depressão pode também
ser em conseqüência da enorme dificuldade que tem o autista para se
comunicar, gerando uma tristeza profunda e, por fim, a desistência de
aprender.
Resolvemos dar este depoimento porque é fundamental dividirmos
nossas experiências.
De Antonio Machado Filho e Francisca de Moraes Machado, pais
de Lucas.
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