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Sou tia de uma criança de 4 anos diagnosticada com
Pervasive Developmental Disorder (PDD) ou Transtorno Global do
Desenvolvimento, por um profissional de São Paulo. Mas por tudo que li e
conheço de minha sobrinha, acho que ela se encaixa no quadro de Síndrome
de Asperger. Síndrome de Asperger é o termo aplicado à manifestação mais
suave e de alta funcionalidade daquilo que é conhecido como o espectro dos
transtornos invasivos (presentes e perceptíveis a todo tempo) do
desenvolvimento (ou espectro de autismo).
Antes desse diagnóstico em São Paulo, minha sobrinha esteve em muitos
médicos, que nunca percebiam absolutamente nada de "errado" com ela. Ela
ainda não fez nenhum tipo de "tratamento". Estamos tentando encontrar
algum profissional na cidade do Rio de Janeiro ou mesmo em Vitória, onde
ela mora, que possa nos ajudar com um "tratamento" adequado para ela.
Neste mês de junho de 2003, Carolina começou a fazer Imunoterapia
Ativada (ITA) e uma dieta sem glúten e leite animal. Em julho ela vai ao
Instituto Veras. Estamos na esperança de que ela tenha uma melhora.
Carolina nasceu quinze dias antes da data prevista, muito pequenininha e
pesando pouco devido ao cordão umbilical da mãe ser muito fino para
alimentá-la como deveria. Logo descobrimos que ela estava com icterícia, o
que a fez permanecer por uma semana no hospital fazendo fototerapia.
Hoje, Carolina é uma criança linda e muito inteligente, falou muito cedo e
pronuncia muito bem as palavras. Praticamente não engatinhou e logo passou
a andar. Sua altura e peso são inferiores aos de uma criança da sua idade.
Ela tem uma memória fantástica. Já está aprendendo a ler e escrever.
Ela adora brincar com um programinha de computador chamado "Paint", onde
ela "desenha", demonstrando possuir muita habilidade com o mouse do
computador. Nestes momentos ela fica muito calma. Ela tem fixação por
animais, principalmente cachorro. Quando um de seus cachorrinhos de
brinquedo, ou mesmo um outro objeto, que ela quer, some, ela entra em
desespero, chora e fala nele até ele aparecer. Ela é hiperativa, corre e
fala o dia todo. Tem a voz muito rouca e sempre fala com o tom de voz
muito alto.
Ela é repetitiva nas suas conversas, muitas vezes anda de um lado pro
outro falando sempre sozinha e sempre sobre um mesmo assunto. Quando está
em algum lugar de bastante espaço, gira sobre si mesma como uma bailarina
olhando para as mãos como se conversasse com elas e não fica tonta. Se
deixarmos, ela passa um bom tempo rodando e falando sozinha. Quando muito
feliz, agita muito as mãos e os pés. Ela não interage com outras crianças,
prefere os adultos. Também não interage numa conversa, a não ser que seja
questionada o tempo todo. Ela não se isola, adora estar entre as pessoas,
gosta de festas e fica muito agitada nelas. Não pára dentro de sala de
aula (existe na sua escola uma pessoa especialmente para cuidar dela, mas
infelizmente sem nenhum preparo).
Carolina nasceu com refluxo grave mas foi operada. Possui sinusite e já
tomou muito antibiótico por causa disso. Já tomou alguns medicamentos
receitados por psiquiatras, neurologistas e alergistas. Ela tem
intolerância a alguns alimentos e corantes. Em janeiro de 2003 descobrimos
que ela tem hipotiróidismo e já está sendo medicada. Ela tem o sono muito
agitado, demora muito para dormir e muitas vezes se queixa de dor de
cabeça. Por ter sua saúde muito debilitada, demorou-se muito a termos um
diagnóstico seu.
Ela gosta muito de mim e quando estamos juntas ela me pede para chamá-la
de "CHÉRIE" (querida em Francês). Ela sabe algumas palavras em francês e
inglês. Ela gosta de dormir comigo e de ficar bem juntinha e abraçada, mas
durante o dia não gosta de muito contato físico.
Carolina nunca tolerou nenhuma roupa que a incomodasse, hoje aceita muito
bem uns enfeites de cabelo (acho que a escola tem influência nisso, pois
só depois de ir para a escola foi que ela aceitou os tais enfeites e não
os tira da mais cabeça), mas não aceita ficar calçada e usar calça
comprida, por isso anda sempre gripadinha. Hoje ela está muito vaidosa e
só quer ficar bem vestidinha, mas sem calçados, é claro.
Ela parece estar sempre muito feliz e nos deixa felizes também.
Regina Krusemark
(tia materna da Carolina Krusemark Pinto)
Para contato escreva para
Regina Krusemark
OBS: segue uma excelente
avaliação educacional da Carolina em sua escola feita por sua professora.
CENTRO EDUCACIONAL INFANTIL "O PICA-PAU"
FICHA DE ACOMPANHAMENTO
1º TRIMESTRE DE 2003
ALUNO: Carolina Krusemark Pinto
PROFESSORA: Érica da Silva Luchi
ORIENTADORA DE TURMAS: Betina Berger
ASSESSORA PEDAGÓGICA: Maristela Valle
A adaptação da Carolina a Escola "O Pica-Pau" aconteceu de
forma rápida, pois logo já estava andando por toda a Escola, sabendo o
nome de todos os professores, demonstrando bastante satisfação.
Nas primeiras semanas pouco participava das atividades propostas em sala e
da rotina em geral, agindo nestes momentos com bastante ansiedade e
agitação, querendo estar em outros locais da Escola, realizando atividades
de seu interesse. Aos poucos fui apresentando e instituindo a nossa rotina
à Carolina, que por sua vez, tem seguido a mesma, realizando as atividades
propostas juntamente com o grupo, ainda que seu tempo de interesse para a
realização das atividades seja menor em relação ao do grupo.
Suas áreas de interesse mudam rapidamente, deixando-a excessivamente
ansiosa e muito agitada, porém, Carolina demonstra interesse especial por
algumas atividades de nossa rotina como: música, teatro, pintura, ouvir
história e natação e quando estas atividades são oferecidas, consegue
vivenciá-las com tranqüilidade, em um tempo maior, sem desviar sua atenção
para outros focos. Também demonstra ansiedade excessiva, não sabendo
esperar o momento, quando em conversas de roda, é apresentada a rotina do
dia e porventura tenha uma atividade que lhe desperte maior interesse.
Demonstra entender pouco as regras estabelecidas, mas aos poucos com
minhas intervenções vem cumprindo algumas delas como: lavar as mãos para
lanchar; calçar a sandália em momentos que são necessários; pedir quando
quer alguma coisa e não simplesmente arrancar da pessoa o objeto que lhe
pertence; ficar vestida com o uniforme e não tirá-lo no meio da Escola;
atitudes essas que acontecia nas primeiras semanas de aula.
Apresenta excelente memória e possui habilidades como reconhecimento de
leitura e reconhecimento de fatos, nomes e datas. Já escreve seu nome e
outras palavras alfabeticamente e busca o valor sonoro coerente ao
escrever palavras que não aprendeu. Reconhece números e conta até 100.
As atividades artísticas são para ela momentos especiais. Explora os
diversos materiais como tinta, lápis de cor, canetinha, sementes e muito
outros, com satisfação realizando as atividades com dedicação e
criatividade. Seus desenhos já tomam forma e mostram-se estruturados.
Fala com bastante desenvoltura, utilizando um vocabulário rico, muitas
vezes acima do esperado para uma criança de sua faixa etária, e utiliza um
tom de voz alto, grave, rápido e formal, nos dando a impressão de que é
uma adulto que está falando. As suas falas tendem a focar em objetos ou
assuntos de seu interesse particular, são freqüentemente repetitivas.
Fala, muitas vezes, com excessiva fixação no objeto e atribui apelidos
para o mesmo. Algumas de suas verbalizações são destituídas de sentido e
inapropriadas para o contexto que se apresentam, como por exemplo, quando
lhe é pedido para calçar a sandália, ela fala que quer calçar um pimentão
no pé. Ou, ao falar o nome completo de uma pessoa sempre atribui o último
sobrenome a uma verdura ou legume, como, Érica da Silva couve. Apesar de
sua desenvoltura para falar, apresenta pouca habilidade para desenvolver e
sustentar diálogos, sendo pouco eficiente sua comunicação. Fala geralmente
na terceira pessoa e quando incentivada corrige falando na primeira
pessoa.
Demonstra particular interesse pelos adultos, buscando sua companhia para
falar de coisas de seu interesse e até mesmo para brincar. Demonstra
também particular interesse por alguns de seus colegas, no entanto, não
busca a companhia dos mesmos, sendo preciso o incentivo constante para que
haja a interação com o grupo. Este por sua vez, acolhe Carolina e procura
respeitar suas particularidades, ajudando-a quando necessário. Carolina
brinca pelos espaços da Escola demonstrando grande satisfação. No Pátio
dos Balanços brinca com as pedrinhas e utiliza todos os brinquedos,
mostrando preferência pelo balanço. Na Areia manipula as sucatas com
entusiasmo e não reage quando um colega pega seu brinquedo, sendo
incentivada a expressar que não gostou da atitude do colega. Desce e sobe
o Morro da Escola com bastante autonomia e vem adquirindo maior segurança
em seus movimentos, ampliando assim suas capacidades motoras. Em suas
falas e brincadeiras Carolina sempre trás assuntos relacionados a médicos.
Na feira do quilo da Escola, escolhe os alimentos sabendo nomeá-los.
Participa dos piqueniques, teatros, saídas da escola, demonstrando
satisfação. Nas aulas de música, pede que o professor Zé Antônio cante as
músicas de sua preferência e participa cantando e dançando com euforia.
Nas aulas de educação física e nos momentos de movimento, participa de
algumas atividades propostas demonstrando pouca confiança em suas
habilidades motoras, porém as realiza com satisfação. É comum vê-la
executando movimentos rotatórios repetitivos, olhando fixamente para a
palma da sua mão.
Este primeiro trimestre de 2003, foi um período de muitas conquistas
individuais e coletivas para Carolina. A construção de vínculos com os
colegas, professores e demais funcionários da Escola vem possibilitando o
desenvolvimento de interação, uma progressiva autonomia e independência na
realização das diversas atividade.
Érica Silva Luchi
Vitória, maio de 2003 |