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Era uma segunda-feira, dia 05 do mês de Junho de 1995
as 15:45 horas, nasceu o Israel na Maternidade Assis Chateaubriand,
situada a Rua Prof. Costa Mendes, s/n.º, bairro Rodolfo Teófilo em
Fortaleza, CE. Pesando 3,420 Kg e medindo 52cm parto cesárea, chorou
normal e ficou comigo no bercinho, mamava normalmente e o pediatra falou
que era uma criança saudável.
Continuava normal, mamava e tomava mamadeira e os movimentos eram normais,
e mensalmente o levava a médica pediatra, sempre em forma e saúde
perfeita.
Aos 8 meses engatinhava e ficava em pé no cercadinho, balbuciava “papa”,
“mamã”. Andou com 11 meses, gostava de brincar com objetos circulares e
de olhar muito para as coisas brilhantes e principalmente luzes, balançava
na rede diariamente o tempo todo. Não gostava da presença de outras
crianças, ficava irritado com festas de aniversário, brincava com os
dedos, continuava bem e chegou a falar “mamãe”, “papai”, “cama”, “rede”,
“mesa”, “água”, “bola”, etc. Aos 2 anos parou de falar, não emitia nem um
som, virava os olhos e se rebolava todo quando andava, fiquei preocupada e
procurei a médica dele e falei tudo, ela me encaminhou ao otorrino
e a um neurologista, os quais não encontraram nenhuma anormalidade. O
otorrino pediu o exame de audiometria, também deu normal, e o “bera”
normal também. Aos 2 anos e meio matriculei-o em um colégio particular de
crianças normais que ficava bem próximo a nossa casa, ele apresentou
hiperatividade altíssima, não ficando na sala, então a diretora permitiu a
minha presença diariamente na sala, e me encaminhou ao CADE – Centro de
Atendimento ao Deficiente, em Maracanau. Chegando lá a assistente social
conversou muito tempo comigo e disse que o caso dele só resolveria na “Casa
da Esperança”, até então eu não conhecia e nem sabia nada sobre
autismo. Dra. Isabel me deu o telefone; eu liguei no dia01/09/1998, após
5 meses (dia 05/02/99), foi a primeira avaliação, então ficamos na fila de
espera até o dia 10/02/2000. Enquanto isso ele continuou no colégio,
brincava de longe dos outros gostava da professora, com muita paciência
aprendeu a escrever e melhorou um pouco estando alfabetizado.
No dia 10/02/2000, foi feita nova avaliação na Casa da Esperança, pelo
hoje atual diretor Prof. Alexandre Costa e Silva, psicólogo o qual
confirmou a síndrome de autismo. Antes foi avaliado pelo Dr. Lucivan
Miranda, neurologista de crianças o qual me deu uma carta para a Casa da
Esperança, onde já estávamos na espera de uma vaga.
Então, chegando lá recebemos uma bolsa do Estado, então o Israel ficou
matriculado desde o dia 10/02/2000 eu fiquei tão feliz, chorava e sorria
ao mesmo tempo, só que o pai dele não aceitou. E disse que eu teria de
escolher entre a escola ou ele, eu optei por meu filho e pela escola,
desde esse dia o pai dele saiu de casa, ligando depois dizendo que não
vinha mais morar conosco por que não iria viver com “isso” (referindo-se
ao Israel), dentro de casa, fiquei muito magoada, nessa época Israel
estava com 5 anos e lembrava do pai. Eu resolvi ir a luta com meu filho,
ele só tem tido progressos, cada dia que passa, já fala, escreve e lê
alguma coisa, conhece números, desenha e faz trabalhos de E.V.A. com a
professora. Está muito social, em casa eu o ajudo a fazer as tarefas
sempre ao seu lado, dou assistência integral para ele. Ele faz amizade e
gosta de todos que ficam na sala dele.
Nesse período entramos uma pessoa muito importante, a
Socorro Baracho,
que foi professora dele durante 1 ano, e até hoje ele gosta muito dela,
são bons amigos, sempre nos encontramos e ela é muito atenciosa para com o
nosso Israel. Ele me ajuda em trabalhos domésticos, lavar louça, varre a
casa, passa pano no chão, lava as roupas dele, se cuida pessoalmente,
gosta de estar limpinho, fica alegre com presentes, especialmente sendo
carrinhos, ursinhos e gatinhos (estes são os animais preferidos dele).
Apesar de tudo, tem evidentes características autísticas, isso não pode se
tirar, é visível.
Foi difícil para mim no começo aceitar, eu dizia, por que o meu filho, se
só tenho ele. Meu Deus, eu sozinha o que vou fazer??? Já estou bem
melhor, a cada dia ele é mais amado por mim. Eu quero a aproximação da
família do pai, sinto que todos fogem, nós é quem procuramos e sentimos a
distância e a falta de interesse.
Se Deus quiser (e ele quer), venceremos!
Essa é a estória do Israel, escrita pela sua mãe.
Francisca Irani A. M. Cavalcante |