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Dr. Raimundo Facion (Parte 3)
Comunidade Terapêutica Interdisciplinar - COTEI
 

Noticias sobre a COTEI do Sr. José Raimundo Facion
Fonte: Gazeta de São João Del Rey


JORNAL GAZETA DE SÃO JOÃO DEL REI - MG

Vigilância Sanitária interdita Cotei
Instituição é acusada de maus tratos e inadequação sanitária

José do Rosário diz que Cotei receberá inspeções esporádicas.A Vigilância Sanitária e a Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Minas Gerais interditaram, na sexta-feira, 24, a Comunidade Terapêutica Interdisciplinar (Cotei).

A decisão tem base numa inspeção feita no local, entre os dias 10 e 11 de setembro deste ano, quando foram identificadas várias irregularidades do ponto de vista sanitário. Entre elas, destaca-se a ausência de enfermeiros e médicos de plantão, inadequação da cozinha e lavanderia, ausência de enfermaria que atenda a normas previstas por lei, inexistência de prontuários dos pacientes, medicamentos vencidos e ausência de segurança para os pacientes. O estabelecimento foi considerado clandestino, já que não possui alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária.

A equipe responsável pela interdição estipulou um prazo de 24 horas para que fosse providenciada a segurança da piscina, o que, segundo o diretor da Diretoria de Ações Descentralizadas da Saúde de São João Del Rei (DADS), José do Rosário, foi considerado um dos pontos mais graves, já que colocava em risco a vida dos internos. Segundo ele, a direção da clínica providenciou uma grade de proteção para a piscina, dentro do prazo.

Os órgãos responsáveis pela interdição proibiram a admissão de novos pacientes e deram um prazo de 90 dias, a contar de sexta-feira, para que os internos sejam transferidos para outros locais. A Cotei terá prazo de 15 dias para se defender das acusações e, desde a semana passada, está sob fiscalização indireta. Isso significa que pode ser vistoriada pela Vigilância Sanitária do Estado a qualquer dia. “As visitas serão feitas para sabermos se a direção da clínica está tomando as medidas que foram solicitadas”, explica José do Rosário.

Caso decida pelo não fechamento - anunciado para o início do próximo mês - a clínica pode continuar suas atividades, desde que se adeque a todas as exigências da lei.

Método
A Coordenadoria de Saúde Mental do Estado ainda pode tomar providências quanto ao método de contenção usado pela clínica durante crises agressivas dos internos. Para isso, solicitou pareceres dos Conselhos Regionais de Medicina e de Psicologia. “Pedimos estudos e opiniões de especialistas do país”, adianta um dos componentes do Conselho Regional de Psicologia, Milton Bicalho. Ele afirma que ainda não há previsão da data que será entregue o parecer, mas destaca que o Conselho “tem interesse em que o processo se desenvolva da forma mais rápida possível”. O método de contenção também é alvo de investigação, que está sendo feita pela Comissão de Ética do Conselho.

Os internos da Cotei são imobilizados por um lençol de brim, com velcro nas pontas, e por manchetes, tecidos usados para prender os braços. O método de contenção ainda inclui a restrição alimentar como forma de punição, toda vez que o paciente tem comportamentos inadequados.

A clínica, localizada no bairro Solar da Serra, atende a portadores de deficiência, na maioria autistas, e é alvo de inquéritos dos Ministérios Públicos dos Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, cidade de origem da maioria dos pacientes. Integra os inquéritos a morte de Wagner Siqueira da Silveira, 26. Ele morreu no Hospital das Mercês, em São João del Rei, depois de ser submetido a uma contenção com o lençol com velcro por mais de três horas. No dia, não havia médicos nem enfermeiros no local, o que é obrigatório, segundo o Conselho Federal de Medicina.

O proprietário da instituição, José Raimundo Facion, não foi localizado para comentar o assunto.

 
 

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Atualizado em: July, 2006