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mãe de autista:
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Noticias sobre a COTEI do Sr. José Raimundo
Facion
Fonte:
Gazeta de São João Del Rey
JORNAL GAZETA DE SÃO JOÃO DEL REI - MG
SAÚDE FISCALIZA CLINICA DE PSIQUIATRIA
A Comunidade Terapêutica Interdisciplinar (Cotei), que funciona no
Solar da Serra, recebeu, no mês passado, uma inspeção da Coordenadoria
Estadual de Saúde Mental, Ministério Público e de auditores do Ministério
da Saúde. A Cotei é acusada de várias irregularidades que, segundo a
presidente do Conselho Regional de Psicologia, Marta Elizabete Souza,
foram confirmadas.
Saúde fiscaliza Clínica acusada de maus tratos Auditores confirmam
irregularidades no local.
Está marcada para o final da próxima semana a divulgação do laudo da
inspeção feita nos dias 10 e 11 de setembro, por órgãos fiscalizadores da
Saúde, na Comunidade Terapêutica Interdisciplinar (Cotei), localizada no
Solar da Serra, em São João Del Rei.
A clínica atende a portadores de deficiência mental, na maioria
autistas, e é acusada de maus tratos, falta de profissionais
especializados e de infra-estrutura inadequada, além da adoção de métodos
agressivos que podem ter causado a morte de dois internos (leia ao lado
"Justiça investiga casos de morte").
A presidente do Conselho Regional de Psicologia, Marta Elizabete de Souza,
que integrou a equipe que fez a inspeção na Cotei, afirmou que a visita
foi feita para atender a uma denúncia e que foram identificadas sérias
irregularidades. "Prefiro não detalhar porque a inspeção foi feita por uma
equipe grande, que já emitiu pareceres que vão constar do relatório final.
Mas posso adiantar que todas as queixas do denunciante são pertinentes e
que, inclusive, vimos até mais do que o descrito", revela em entrevista à
Gazeta de São João Del Rei.
Marta Elizabete, que também é funcionária da Secretaria Estadual de Saúde,
informou que serão contatados órgãos que deverão tomar providências sobre
o caso e disse que é "lamentável que a sociedade conviva com instituições
como estas". "As pessoas devem procurar se inteirar melhor do que está
acontecendo", aconselha.
A equipe que fez a inspeção foi liderada pelo coordenador estadual de
Saúde Mental, José César Morais, que é quem prepara o relatório final, e
composta por auditores do Ministério da Saúde, pela promotora de Justiça
Eliane Fernandes do Lago Corrêa, por funcionários da Secretaria de Estado
da Saúde e funcionários da
área de Saúde de São João del Rei.
Antes do resultado, no entanto, responsáveis pela Cotei, entre eles o
proprietário José Raimundo Facion, ex-diretor executivo da Fundação
de Ensino Superior de São João del Rei (Funrei), hoje UFSJ, já anunciaram
que a Clínica será fechada em novembro deste ano.
Facion não quis dar entrevista e, do Rio de Janeiro, por telefone,
solicitou que sua assistente fosse ouvida. "Estamos sendo vítimas de
perseguição. Grande parte de nossos clientes é do Rio de Janeiro e alguns
pais reivindicam que o tratamento de seus filhos na Cotei seja custeado
pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio. Justamente para não ter que
arcar com tais custos, alguns representantes da
Secretaria iniciaram essa campanha para difamar nossa Clínica", diz a
coordenadora Silvana Christiane Alves de Souza Santos.
Segundo Silvana, "Facion não quer desviar a atenção dele, que é
voltada para a Psicologia, para esse tipo de assunto". Em carta enviada
aos pais, na semana passada, os dirigentes da Cotei também atribuem o
fechamento a dificuldades financeiras. "Já comunicamos aos pais e demos um
tempo até que eles procurem um novo lugar para seus filhos", afirma
Silvana. Segundo ela, a Cotei atende
atualmente a 20 pessoas, sendo que muitas não pagam o valor integral da
mensalidade, que é R$2.300.
Justiça investiga casos de morte
Um dos principais denunciantes é o aposentado Antônio Nazaré da Silveira,
do Rio de Janeiro. Ele é pai de Wagner Siqueira da Silveira, morto aos 26
anos, depois de ser submetido a uma contenção na Cotei, em julho do ano
passado.
"Meu filho passou por mais de três horas enrolado num lençol com um
velcro, que era usado para imobilizar os internos. Todo este tempo, fez
com que ele se desidratasse", relata, acrescentando que não havia médico
na Clínica e que Wagner só foi levado a um hospital depois que um dos
funcionários viu que ele estava tendo convulsão.
Foi conduzido ao hospital num carro de um vizinho, já que a clínica não
dispunha de transporte. "Ele chegou ao Hospital das Mercês com convulsões,
retenção de urina e vários outros problemas e morreu 24 horas depois",
completa. Funcionários que foram ouvidos pelo Ministério Público
confirmaram o procedimento.
Antônio Silveira acusa os responsáveis pela Cotei de negligência e espera
a punição dos culpados. O advogado da família também reivindica
indenização.
A coordenadora Silvana Alves diz que não acredita que a morte de Wagner
tenha ligação com a contenção. "O método tem embasamento científico e,
apesar de sempre ser usado, nunca trouxe conseqüências a nenhuma criança",
diz, completando que, ao contrário do que é alardeado, a contenção não é
tortura.
O caso é tema de um inquérito que está sendo investigado por promotores de
Rio de Janeiro, que acionaram a Promotoria de São João, que deu início a
um segundo inquérito, presidido pela promotora Eliane Fernandes do Lago
Corrêa. Este último, que reúne mais de 400 páginas, tem como título "Risco
à saúde dos internos da
Cotei", e está em fase final. A promotora não quis falar sobre o caso.
Entre as pessoas ouvidas, está uma ex-funcionária, cujo nome está sendo
mantido em sigilo por questão de segurança. Ela confirma o uso de lençóis
com velcro e de manchetes (usadas para envolver os braços) para conter os
internos em crise e denuncia uma série de maus tratos, inclusive, a
suspensão de alimentação.
Além de Wagner, outro interno morreu na Cotei, em julho de 2000. O caso
também integra o inquérito.
JORNAL O TEMPO MG
Maus tratos teriam matado doentes
Duas pessoas portadoras de problemas psiquiátricos podem ter morrido em
decorrência de maus tratos praticados em uma clínica de São João Del Rei,
no Campo das Vertentes. A denúncia está sendo investigada pelo Ministério
Público do Rio de Janeiro – Estado de origem da maioria dos pacientes
internados – e também pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais. De acordo
com o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (SES),
José César Morais, a Comunidade Terapêutica Interdisciplinar (Cotei) foi
alvo de uma auditoria de vários órgãos da Saúde e também do Ministério
Público de São João Del Rei, nos dias 10 e 11 de setembro.
O relatório final da vistoria, segundo Morais, identificou uma série de
irregularidades tanto de vigilância sanitária, quanto de legalidade
institucional e também de tratamento psiquiátrico. Morais informou que a
clínica não possuía alvará de funcionamento, médicos ou enfermeiros
plantonistas. O psiquiatra contratado pela instituição também só visitava
a Cotei uma hora por semana e até medicamentos vencidos foram encontrados.
O aposentado Antônio Nazaré da Silveira, pai de Wagner Siqueira da
Silveira, 26, que morreu em julho de 2002, após uma contenção feita na
clínica, afirma que a clínica passou a usar este procedimento sem o
acompanhamento adequado de profissionais especializados. O paciente era
amarrado em um lençol grosso, de brim e velcro. "Consta no relatório da
clínica que o Wagner ficou três horas enrolado neste lençol. Uma
funcionária viu que ele estava passando mal e pediu ajuda a um vizinho
para transportá-lo até o hospital, pois não existia um médico de plantão
na clínica".
Faltam médicos e enfermeiros e método é agressivo
Saúde Mental confirma irregularidades na Cotei Conselho Regional de
Psicologia abre processo.
A agressividade do método de contenção usado na Comunidade Terapêutica
Interdisciplinar (Cotei), localizada no Solar da Serra, é o ponto
considerado mais grave no relatório elaborado pela Coordenadoria Estadual
de Saúde Mental, divulgado na última quarta-feira, 15. "O método é baseado
na contenção física através de um tecido com velcro e na restrição
alimentar", denuncia o coordenador estadual de Saúde Mental, José César
Morais, que diz que a
metodologia é inábil e inadequada, tanto para crianças como para
adultos.
A contenção através do lençol com velcro é suspeita de ter causado a morte
de Wagner Siqueira Silveira, 26, em 30 de junho do ano passado. Além dele,
um outro rapaz morreu durante o tempo que estava internado na Cotei, em
julho de 2000, e os dois casos são tema de inquérito, investigado pelas
Promotorias de São João del Rei e do Rio de Janeiro, cidade de origem das
vítimas.
Responsáveis pela inspeção feita na instituição, nos dias 10 e 11 de
setembro deste ano, também denunciam a falta de médicos e enfermeiros de
plantão, a existência de medicação vencida, o procedimento impróprio de
armazenamento dos medicamentos e a falta de um alvará de funcionamento da
Vigilância Sanitária. "Esta inadequação é muito grave. Qualquer
consultório médico, clínica ou hospital precisa do alvará", informa,
questionando os motivos que levam a instituição a não ter conseguido o
alvará. O ex-chefe da Vigilância Sanitária de São João del Rei, Flávio
Raimundo Soares, informou que até hoje a Cotei não terminou de apresentar
a documentação necessária para emissão do alvará. Uma vistoria foi feita
no local no ano passado, mas até o momento, ninguém retornou e
nem tomou medidas sobre o caso.
Providências
Cópias do relatório foram enviadas durante a semana para os Conselhos
Regionais de Psicologia, Medicina e Enfermagem, Promotoria de São João del
Rei, Secretarias de Estado e Municipal de Saúde e outros órgãos ligados à
Saúde, solicitando que sejam tomadas providências e que sejam punidos os
responsáveis.
Segundo o coordenador José César as principais medidas devem ser tomadas
pela promotora Eliane Fernandes do Lago Corrêa, que é a curadora da Saúde
em São João del Rei. "Pedimos o parecer de várias instâncias públicas para
que se manifestem para que possamos ver o pode ser feito", informa,
acrescentando que o que deseja é que "o direito de todas as pessoas seja
respeitado e que ninguém tenha mau tratamento". José César lembrou que
acontece neste fim de semana, em Ipatinga, o 3o Encontro Estadual de
Famílias na luta anti-manicomial, cujo tema é "Quem ama cuida em
liberdade".
A promotora Eliane Fernandes disse que só vai falar sobre o caso quando o
inquérito for finalizado.
O proprietário da clínica é o ex-diretor executivo da Fundação de Ensino
Superior de São João del Rei, hoje UFSJ, José Raimundo Facion.
Atualmente ele leciona na Universidade do Contestado, na cidade de Caçador
(SC), e diz que só pretende comentar o caso depois que receber cópia do
relatório.
Processo
O Conselho Regional de Psicologia já deu início ao processo que vai apurar
se o método de contenção usado na Cotei fere o Código de Ética dos
Psicólogos. Segundo a presidente do Conselho, Marta Elizabete de Souza,
todas as pessoas envolvidas, inclusive na morte de Wagner Siqueira, serão
ouvidas e o caso será julgado pela Comissão de Ética, num prazo que,
segundo ela, pode variar entre
seis meses e um ano.
Marta Elizabete afirmou que, caso sejam constatadas infrações, as
penalidades aplicadas podem desencadear até a suspensão do exercício da
profissão do responsável. "O caso é muito expressivo e vamos até o fim",
destacou.
A ligação entre a morte de Wagner Silveira e a contenção feita durante
mais de três horas, segundo relato da família, também vai ser investigada.
Caso seja comprovada, o coordenador de Saúde Mental sugere que seja aberto
um processo criminal contra os responsáveis.
Pais acionam Comissão dos Direitos Humanos
Os pais de Wagner Siqueira Silveira, morto depois de uma contenção na
Cotei, acionaram durante a semana, a Comissão de Direitos Humanos da
Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Antônio e Maria de Jesus Siqueira
Silveira denunciam que o filho foi vítima de maus tratos que teriam
ocasionado sua morte.
A assessora do deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Assembléia Legislativa, Taciana Nogueira, informou que a
Promotoria de São João del Rei deve ser acionada logo que a Comissão
investigar o caso. "A Comissão vai chamar as autoridades competentes para
efetuar punições", adianta, acrescentando que poderá ser realizada uma
audiência pública na
cidade, para tratar do assunto.
"Queremos fazer um apelo para que a promotora agilize esse processo e que
sejam punidos os responsáveis pela morte do meu filho", pede o aposentado
Antônio Silveira, acrescentando que a medida vai favorecer toda "a
coletividade e todas as crianças que ainda estão internadas lá".
Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, Maria de Jesus
Siqueira Silveira, mãe de Wagner, relata que a contenção por meio de
lençol foi adotada pela Cotei como forma de diminuir gastos, já que antes
eram usados monitores para fazer contenção humana. "Wagner chegava à
exaustão, quase desmaiando", relata, acrescentando que, no dia da morte,
depois de ficar por mais de três horas imobilizado, ele teve uma grave
convulsão sem que nenhum atendimento tivesse sido dado. "Não havia sequer
um enfermeiro que pudesse constatar o estado de convulsão", continuou.
Wagner morreu no Hospital Nossa Senhora das Mercês, no dia seguinte. Ao
ser internado, ele tinha pressão baixa (sete por quatro), contenção
urinária, hemorragia digestiva, diarréia, febre e convulsão.
Segundo Antônio Silveira, a restrição alimentar feita por funcionários
teria feito com que Wagner perdesse mais de 15 quilos em 45 dias. "Ele
chegou a diminuir cinco centímetros na sua estatura", acrescenta. Os
procedimentos de contenção foram confirmados por todos os funcionários da
Cotei que foram ouvidos
pela Promotoria.
O proprietário da Cotei, José Raimundo Facion, nega que a suspensão
de alimentação dos internos tenha sido feita como forma de punição. No
entanto, Facion afirma que foi aplicada uma dieta alimentar entre
os pacientes que estavam acima do peso.
O psicólogo também diz que o método de contenção através do lençol com
velcro é o que há de mais moderno no mundo. "O uso do lençol não é
indiscriminado e é mais humano que camisas de força ou medicação",
declara, acrescentando que está sendo vítima de uma disputa política e que
muitos pais elogiam e recomendam o método, assim como todo o tratamento
desenvolvido na clínica.
A presidente do Conselho Regional de Psicologia, Marta Elizabete, diz que
a possível punição dos responsáveis independe do fechamento da
instituição, anunciado pela direção, para novembro deste ano. |