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ADAPTAÇAO
do texto da Profa. Dra Leny Magalhães Mrech
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Matéria
enviada por
Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga e Psicopedagoga
Os quatro eixos básicos que constituíram o Paradigma da Inclusão partiram
do entroncamento de quatro fontes básicas: a emergência da Psicanálise ; a
luta pelos Direitos Humanos, a Pedagogia Institucional e o movimento de
Desinstitucionalização Manicomial ou Antipsiquiatria.
Foram estes desencadeadores que delinearam um problema social, um problema
público - a questão da inclusão social - que vem tomando forma e exigindo
novas práticas educacionais e sociais.
As contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan , trouxeram uma nova
forma de se conceber os seres humanos: a importância da linguagem, do
inconsciente e da sexualidade nos processos de constituição dos sujeitos.
Através dos ensinamentos de Freud e Lacan foi possível identificar que
havia em relação à sociedade e aos sujeitos uma leitura ingênua do mundo.
Uma crença na intencionalidade direta e linear das ações dos sujeitos e da
sociedade.
Freud revelou que o sujeito e a sociedade podem ir contra si mesmo. Os
sujeitos não criam apenas através das suas ações, o que chamou de pulsão
de vida. Eles podem também se destruir ou destruir ao outro, um processo
bastante sofisticado que Freud denominou de pulsão de morte.
Com isto foi tornando-se cada vez mais evidente que a sexualidade, a
inteligência e a afetividade dos seres humanos não eram apenas produtos já
dados, mas construções sociais e individuais. Para Freud e Lacan a ênfase
estava nas relações e não em processos biológicos previamente concebidos e
estruturados. Um exemplo é a questão atualíssima da violência nas escolas,
vem revelando que não basta lidar apenas com o cognitivo, nós precisamos
também trabalhar com a afetividade dos alunos, existe um desamparo
familiar, social, político, ético, moral etc... encobrindo essa violência
manifesta.
Mais tarde, a luta pelos Direitos Humanos veio ampliar ainda mais esta
proposta. Ela delineou uma outra passagem que é a luta pelos direitos
políticos. De 1964 a 1968, no meio universitário e fora dele, emergiu, no
mundo todo, a defesa pelos Direitos Humanos aplicados a todos os
sujeitos. Independente do fato de se pertencer a uma dada raça, cor,
religião, situação financeira, etc. O objetivo é que todos os sujeitos
tivessem acesso e direito garantido aos mesmos parâmetros de ingresso nos
processos sociais e educativos.
A luta pela Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, veio revelar
o papel estratégico que a Educação vem ocupando na manutenção, ao longo de
décadas, de processos estigmatizadores.
Em decorrência, não foi ao acaso que emergiu, na França, na década de 60,
a Pedagogia Institucional ou Pedagogia revolucionária, aquela cujas raízes
se encontram no movimento frenetiano e no grupo dos Situacionistas
Internacionais que, desencadearam no mundo todo, uma nova forma de ver a
cultura e a Educação. Esse conceito situacionista, revela a importância de
não mais focalizarmos o sujeito isoladamente. É preciso que se
identifique também o contexto social - a situação ou ambiência - onde
sujeito se encontra colocado.
O movimento mais transformador da cultura na década de 60 e 70, foi o
Movimento de Desinstitucionalização Manicomial, ou seja, da quebra das
cadeias manicomiais, como lugares de atendimento e tratamento excludentes
dos doentes mentais.
Os movimentos de Desintitucionalização e Antipsiquiatria propiciaram novas
luzes aos processos de atendimento e tratamento dos doentes mentais. Eles
revelaram a importância de situações saudáveis para o bom andamento dos
sujeitos. Situações onde os doentes mentais não ficassem excluídos dos
ambientes comuns, mas fosse dado o direito de participar de uma forma mais
ampla e digna dos contextos sociais comuns.
Acreditamos que os conteúdos que atualmente surgiram em Educação Inclusiva
não sejam referidos apenas ao momento presente. Revelam a existência de um
problema social maior, um problema público, em relação à maneira como os
deficientes têm sido tratados ao longo da história da nossa civilização. |