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Decreto nº 3.100 de 30.06.1999 -
D.O.U. 01.07.1999 - Rep. 13.07.1999
Regulamenta a Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999,
que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado,
sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras
providências.
Art. 1º O pedido de qualificação como Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público será dirigido, pela pessoa jurídica de direito privado
sem fins lucrativos que preencha os requisitos dos art.. 1º, 2º, 3º e 4º
da Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999, ao Ministério da Justiça por meio
do preenchimento de requerimento escrito e apresentação de cópia
autenticada dos seguintes documentos:
I - estatuto registrado em Cartório;
II - ata de eleição de sua atual diretoria;
III - balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício;
IV - declaração de isenção do imposto de renda; e
V - inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes/Cadastro Nacional da
Pessoa Jurídica (CGC/CNPJ).
Art. 2º O responsável pela outorga da qualificação deverá verificar a
adequação dos documentos citados no artigo anterior com o disposto nos
art. 2º, 3º e 4º da Lei nº 9.790, de 1999, devendo observar:
I - se a entidade tem finalidade pertencente à lista do art. 3º daquela
Lei;
II - se a entidade está excluída da qualificação de acordo com o art. 2º
daquela Lei;
III - se o estatuto obedece aos requisitos do art. 4º daquela Lei;
IV - na ata de eleição da diretoria, se é a autoridade competente que está
solicitando a qualificação;
V - se foi apresentado o balanço patrimonial e a demonstração do resultado
do exercício;
VI - se a entidade apresentou a declaração de isenção do imposto de renda,
à Secretaria da Receita Federal; e
VII - se foi apresentado o CGC/CNPJ.
Art. 3º O Ministério da Justiça, após o recebimento do requerimento, terá
o prazo de trinta dias para deferir ou não o pedido de qualificação, ato
que será publicado no Diário Oficial da União no prazo máximo de quinze
dias da decisão.
§ 1º No caso de deferimento, o Ministério da Justiça emitirá, no prazo de
quinze dias da decisão, o certificado da requerente como Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público.
§ 2º Deverão constar da publicação do indeferimento as razões pelas quais
foi denegado o pedido.
§ 3º A pessoa jurídica sem fins lucrativos que tiver seu pedido de
qualificação indeferido poderá reapresentá-lo a qualquer tempo.
Art. 4º Qualquer cidadão, vedado o anonimato e respeitadas as
prerrogativas do Ministério Público, desde que amparado por evidências de
erro ou fraude, é parte legítima para requerer, judicial ou
administrativamente, a perda da qualificação como Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público.
Parágrafo único. A perda da qualificação dar-se-á mediante decisão
proferida em processo administrativo, instaurado no Ministério da Justiça,
de ofício ou a pedido do interessado, ou judicial, de iniciativa popular
ou do Ministério Público nos quais serão assegurados a ampla defesa e o
contraditório.
Art. 5º Qualquer alteração da finalidade ou do regime de funcionamento da
organização, que implique mudança das condições que instruíram sua
qualificação, deverá ser comunicada ao Ministério da Justiça acompanhada
de justificativa, sob pena de cancelamento da qualificação.
Art. 6º Para fins do art. 3º da Lei nº 9.790, de 1999, entende-se:
I - como Assistência Social, o desenvolvimento das atividades previstas no
art. 3º da Lei Orgânica da Assistência Social;
II - por promoção gratuita da saúde e educação, a prestação destes
serviços realizada pela Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público mediante financiamento com seus próprios recursos.
§ 1º Não são considerados recursos próprios aqueles gerados pela cobrança
de serviços de qualquer pessoa física ou jurídica, ou obtidos em virtude
de repasse ou arrecadação compulsória.
§ 2º O condicionamento da prestação de serviço ao recebimento de doação,
contrapartida ou equivalente não pode ser considerado como promoção
gratuita do serviço.
Art. 7º Entende-se como benefícios ou vantagens pessoais, nos termos do
inciso II do art. 4º da Lei nº 9.790, de 1999, os obtidos:
I - pelos dirigentes da entidade e seus cônjuges, companheiros e parentes
colaterais ou afins até o terceiro grau;
II - pelas pessoa jurídicas das quais os mencionados acima sejam
controladores ou detenham mais de dez por cento das participações
societárias.
Art. 8º Será firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas
como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, Termo de
Parceria destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes,
para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas
no art. 3º da Lei nº 9.790, de 1999.
Parágrafo único. O Órgão estatal firmará o Termo de Parceria mediante
modelo padrão próprio, do qual constarão os direitos, as responsabilidades
e as obrigações das partes e as cláusulas essenciais descritas no art. 10,
§ 2º, da Lei nº 9.790, de 1999.
Art. 9º O órgão estatal responsável pela celebração do Termo de Parceria
verificará previamente o regular funcionamento da organização.
Art. 10. Para efeitos da consulta mencionada no art. 10, § 1º, da Lei nº
9.790, de 1999, o modelo a que se refere o parágrafo único do
art. 8º deverá ser preenchido e remetido ao Conselho de Política Pública
competente.
§ 1º A manifestação do Conselho de Política Pública será considerada para
a tomada de decisão final em relação ao Termo de Parceria.
§ 2º Caso não exista Conselho de Política Pública da área de atuação
correspondente, o órgão estatal parceiro fica dispensado de realizar a
consulta, não podendo haver substituição por outro Conselho.
§ 3º O Conselho de Política Pública terá o prazo de trinta dias, contado a
partir da data de recebimento da consulta, para se manifestar sobre o
Termo de Parceria, cabendo ao órgão estatal responsável, em última
instância, a decisão final sobre a celebração do respectivo Termo de
Parceria.
§ 4º O extrato do Termo de Parceria, conforme modelo constante do Anexo I
deste Decreto, deverá ser publicado pelo órgão estatal parceiro no Diário
Oficial, no prazo máximo de quinze dias após a sua assinatura.
Art. 11. Para efeito do disposto no art. 4º, inciso VII, alíneas "c" e
"d", da Lei nº 9.790, de 1999, entende-se por prestação de contas a
comprovação da correta aplicação dos recursos repassados à Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público.
§ 1º As prestações de contas anuais serão realizadas sobre a totalidade
das operações patrimoniais e resultados das Organizações da Sociedade
Civil de Interesse Público.
§ 2º A prestação, de contas será instruída com os seguintes documentos:
I - relatório anual de execução de atividades;
II - demonstração de resultados do exercício;
III - balanço patrimonial;
IV - demonstração das origens e aplicações de recursos;
V - demonstração das mutações do patrimônio social;
VI - notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; e
VII - parecer e relatório de auditoria nos termos da art. 19 deste
Decreto, se for o caso.
Art. 12. Para efeito do disposto no § 2º, inciso V, do art. 10 da Lei nº
9.790, de 1999, entende-se por prestação de contas relativa à execução do
Termo de Parceria a comprovação, perante o órgão estatal parceiro, da
correta aplicação dos recursos públicos recebidos e do adimplemento do
objeto do Termo de Parceria, mediante a apresentação dos seguintes
documentos:
I - relatório sobre a execução do objeto do Termo de Parceria, contendo
comparativo entre as metas propostas e os resultados alcançados;
II - demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução;
III - parecer e relatório de auditoria, nos casos previstos no art. 19; e
IV - entrega do extrato da execução física e financeira estabelecido no
art. 18.
Art. 13. O Termo de Parceria poderá ser celebrado por período superior ao
do exercício fiscal.
§ 1º Caso expire a vigência do Termo de Parceria sem o adimplemento total
do seu objeto pelo órgão parceiro ou havendo excedentes financeiros
disponíveis com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, o
referido Termo poderá ser prorrogado.
§ 2º As despesas previstas no Termo de Parceria e realizadas no período
compreendido entre a data original de encerramento e a formalização de
nova data de término serão consideradas como legítimas, desde que cobertas
pelo respectivo empenho.
Art. 14. A liberação de recursos financeiros necessários à execução do
Termo de Parceria far-se-á em conta bancária específica, a ser aberta em
banco a ser indicado pelo órgão estatal parceiro.
Art. 15. A liberação de recursos para a implementação do Termo de Parceria
obedecerá ao respectivo cronograma, salvo se autorizada sua liberação em
parcela única.
Art. 16. É possível a vigência simultânea de um ou mais Termos de
Parceria, ainda que com o mesmo órgão estatal, de acordo com a capacidade
operacional da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.
Art. 17. O acompanhamento e a fiscalização por parte do Conselho de
Política Pública de que trata o art. 11 da Lei nº 9.790, de 1999, não pode
introduzir nem induzir modificação das obrigações estabelecidas pelo Termo
de Parceria celebrado.
§ 1º Eventuais recomendações ou sugestões do Conselho sobre o
acompanhamento dos Termos de Parceria deverão ser encaminhadas ao órgão
estatal parceiro, para adoção de providências que entender cabíveis.
§ 2º O órgão estatal parceiro informará ao Conselho sobre suas atividades
de acompanhamento.
Art. 18. O extrato da execução física e financeira, referido no art. 10, §
2º, inciso VI, da Lei nº 9.790, de 1999, deverá ser preenchido pela
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e publicado na
imprensa oficial da área de abrangência do projeto, no prazo máximo de
sessenta dias após o término de cada exercício financeiro, de acordo com o
modelo constante do Anexo II deste Decreto.
Art. 19. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público deverá
realizar auditoria independente da aplicação dos recursos objeto do Termo
de Parceria, de acordo com a alínea "c", inciso VII, do art. 4º da Lei nº
9.790, de 1999, nos casos em que o montante de recursos for maior ou igual
a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais).
§ 1º O disposto no "caput" aplica-se também aos casos onde a Organização
da Sociedade Civil de Interesse Público celebre concomitantemente vários
Termos de Parceria com um ou vários órgãos estatais e cuja soma ultrapasse
aquele valor.
§ 2º A auditoria independente deverá ser realizada por pessoa física ou
jurídica habilitada pelos Conselhos Regionais de Contabilidade.
§ 3º Os dispêndios decorrentes dos serviços de auditoria independente
deverão ser incluídos no orçamento do projeto como item de despesa.
§ 4º Na hipótese do § 1º, poderão ser celebrados aditivos para efeito do
disposto no parágrafo anterior.
Art. 20. A comissão de avaliação de que trata o art. 11, § 1º, da Lei nº
9.790, de 1999, deverá ser composta por dois membros do respectivo Poder
Executivo, um da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e um
membro indicado pelo Conselho de Política Pública da área de atuação
correspondente, quando houver.
Parágrafo único. Competirá à comissão de avaliação monitorar a execução do
Termo de Parceria.
Art. 21. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público fará
publicar na imprensa oficial da União, do Estado ou do Município, no prazo
máximo de trinta dias, contado a partir da assinatura do Termo de
Parceria, o regulamento próprio a que se refere o art. 14 da Lei nº 9.790,
de 1999, remetendo cópia para conhecimento do órgão estatal parceiro.
Art. 22. Para os fins dos art.. 12 e 13 da Lei nº 9.790, de 1999, a
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público indicará, para cada
Termo de Parceria, pelo menos um dirigente, que será responsável pela boa
administração dos recursos recebidos.
Parágrafo único. O nome do dirigente ou dos dirigentes indicados será
publicado no extrato do Termo de Parceria.
Art. 23. A escolha da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público,
para a celebração do Termo de Parceria, poderá ser feita por meio de
publicação de edital de concursos de projetos pelo órgão estatal parceiro
para obtenção de bens e serviços e para a realização de atividades,
eventos, consultorias, cooperação técnica e assessoria.
Parágrafo único. Instaurado o processo de seleção por concurso, é vedado
ao Poder Público celebrar Termo de Parceria para o mesmo objeto, fora do
concurso iniciado.
Art. 24. Para a realização de concurso, o órgão estatal parceiro deverá
preparar, com clareza, objetividade e detalhamento, a especificação
técnica do bem, do projeto, da obra ou do serviço a ser obtido ou
realizado por meio do Termo de Parceria.
Art. 25. Do edital do concurso deverá constar, no mínimo, informações
sobre:
I - prazos, condições e forma de apresentação das propostas;
II - especificações técnicas do objeto do Termo de Parceria;
III - critérios de seleção e julgamento das propostas;
IV - datas para apresentação de propostas;
V - local de apresentação de propostas;
VI - datas do julgamento e data provável de celebração do Termo de
Parceria; e
VII - valor máximo a ser desembolsado.
Art. 26. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público deverá
apresentar seu projeto técnico e o detalhamento dos custos a serem
realizados na sua implementação ao órgão estatal parceiro.
Art. 27. Na seleção e no julgamento dos projetos, levar-se-ão em conta:
I - o mérito intrínseco e adequação ao edital do projeto apresentado;
II - a capacidade técnica e operacional da candidata;
III - a adequação entre os meios sugeridos, seus custos, cronogramas e
resultados;
IV - o ajustamento da proposta às especificações técnicas;
V - a regularidade jurídica e institucional da Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público; e
VI - a análise dos documentos referidos no art. 11, § 2º, deste Decreto.
Art. 28. Obedecidos aos princípios da administração pública, são
inaceitáveis como critério de seleção, de desqualificação ou pontuação:
I - o local do domicílio da Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público ou a exigência de experiência de trabalho da organização no local
de domicílio do órgão parceiro estatal;
II - a obrigatoriedade de consórcio ou associação com entidades sediadas
na localidade onde deverá ser celebrado o Termo de Parceria;
III - o volume de contrapartida ou qualquer outro benefício oferecido pela
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.
Art. 29. O julgamento será realizado sobre o conjunto das propostas das
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, não sendo aceitos
como critérios de julgamento os aspectos jurídicos, administrativos,
técnicos ou operacionais não estipulados no edital do concurso.
Art. 30. O órgão estatal parceiro designará a comissão julgadora do
concurso, que será composta, no mínimo, por um membro do Poder Executivo,
um especialista no tema do concurso e um membro do Conselho de Política
Pública da área de competência, quando houver.
§ 1º O trabalho dessa comissão não será remunerado.
§ 2º O órgão estatal deverá instruir a comissão julgadora sobre a
pontuação pertinente a cada item da proposta ou projeto e zelará para que
a identificação da organização proponente seja omitida.
§ 3º A comissão pode solicitar ao órgão estatal parceiro informações
adicionais sobre os projetos.
§ 4º A comissão classificará as propostas das Organizações da Sociedade
Civil de Interesse Público obedecidos aos critérios estabelecidos neste
Decreto e no edital.
Art. 31. Após o julgamento definitivo das propostas, a comissão
apresentará, na presença dos concorrentes, os resultados de seu trabalho,
indicando os aprovados.
§ 1º O órgão estatal parceiro:
I - não examinará recursos administrativos contra as decisões da comissão
julgadora;
II - não poderá anular ou suspender administrativamente o resultado do
concurso nem celebrar outros Termos de Parceria, com o mesmo objeto, sem
antes finalizar o processo iniciado pelo concurso.
§ 2º Após o anúncio público do resultado do concurso, o órgão estatal
parceiro o homologará, sendo imediata a celebração dos Termos de Parceria
pela ordem de classificação dos aprovados.
Art. 32. O Ministro de Estado da Justiça baixará portaria no prazo de
quinze dias, a partir da publicação deste Decreto, regulamentando os
procedimentos para a qualificação.
Art. 33. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
ANEXO I
(Nome do Órgão Público)
.................................................................................................................................................................................
Extrato de Termo de Parceria
Custo do Projeto:
................................................................................................................................
Local de Realização do Projeto:
...................................................................................................
Data de assinatura do TP: ....../....../...... Início do Projeto:
....../....../...... Término: ...../..../....
Objeto do Termo de Parceria (descrição sucinta do projeto):
Nome da OSCIP:
.................................................................................................................................
....................................................................................................................................................................................
Endereço:
..............................................................................................................................................
....................................................................................................................................................................................
Cidade:
...............................................................................
UF: ................ CEP: ...............................
Tel.: ...................................................... Fax:
................................. E-mail:
.........................................
Nome do responsável pelo projeto:
............................................................................................
Cargo/Função:
.....................................................................................................................................
ANEXO II
(Nome do Órgão Público)
....................................................................................................................................................................................
Extrato de Relatório de Execução Física e Financeira de Termo de Parceria
Custo do projeto:
.................................................................................................................................
Local de realização do projeto:
.....................................................................................................
Data de assinatura do TP: ....../....../...... Início do projeto:
....../....../..... Término: ...../..../.....
Objetivos do projeto:
Resultados alcançados:
Custos de Implementação do Projeto
Categorias de despesa Previsto Realizado Diferença
........................ ...................... ........................
........................
........................ ...................... ........................
........................
........................ ...................... ........................
........................
........................ ...................... ........................
........................
TOTAIS: ...................... .........................
........................
Nome da OSCIP:
..............................................................................................................................
Endereço:
...........................................................................................................................................
Cidade: .................................................................
UF: ..................... CEP: .......................................
Tel.: ................................... Fax:
.................................. E-mail:
...........................................................
Nome do responsável pelo projeto:
...........................................................................................
Cargo/Função:
.....................................................................................................................................
Texto da Lei nº 9 394 de 20 de dezembro de 1996
CAPÍTULO V
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
Art. 58. Entende-se por Educação Especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos
alunos, não for possível a sua integração nas classes de ensino regular.
§3º A oferta de Educação Especial, dever constitucional do Estado, tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades
especiais:
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização
específicos, para atender às suas necessidades;
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível
exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar
para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior,
para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.
IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração
na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não
revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante
articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que
apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou
psicomotora;
V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares
disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
Art. 60. Os Órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de
apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
Parágrafo Único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a
ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na
própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às
instituições previstas neste artigo.
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