|
Inicialmente aqui em São Vicente, litoral de São Paulo – Brasil, já
existia uma escola nos anos 70 e 80, que realizava a inclusão de uma forma
natural. A escola era uma instituição filantrópica, ao qual fui estagiária
e depois professora. Tínhamos classes regulares e especiais. E a transição
era natural, porque todos se conheciam.
Nos anos 90 as coisas foram se modificando e as escolas foram se
compartimentando em especiais e regulares. Posteriormente com as novidades
políticas e estaduais. O movimento da municipalização, as classes
especiais foram implantadas no sistema educacional na maioria da rede
municipal.
Temos na Rede Municipal de Ensino : 21 escolas municipais de ensino
fundamental, 19 de educação infantil e 50 creches. Todas possuem alunos
inclusos em algum nível de desenvolvimento e muitas das escolas possuem as
classes especiais em conjunto.
Há 5 anos foi fundada uma escola para autistas e psicóticos NUMAA Núcleo
Municipal de Atendimento ao Autista. Eu fui à psicóloga que avaliou os
alunos para a entrada nesta escola em 1997 em parceria com laudos médicos
e exames, num total inicial de - 23 crianças e jovens. Inicialmente o
NUMAA começou bem, com supervisão e técnicas do THEACH. Hoje está muito
a quem do que se poderia ter como atendimento com qualidade, pois sua
infra estrutura é muito boa.
Posteriormente organizei e fundei um serviço público, projeto: NUMAPS
(Núcleo Municipal de Atendimento Psicopedagógico) , ao qual coordenei por
5 anos.
O objetivo deste serviço era o atendimento de crianças na faixa etária de
5 a 14 anos que apresentassem dificuldades de aprendizagem o mais
precocemente possível, e que fossem da Rede Municipal de Ensino
O Projeto
Escola inclusiva
Atualmente faço parte da equipe do Projeto Escola Inclusiva, que é
composta por 6 profissionais pedagogas, todas com formação em pedagogia em
Educação Especial : def. mental, auditivo, visual.
Cada coordenadora do Projeto Escola Inclusiva faz visitas mensais nas
escolas (subdividas entre nós) orientando o trabalho do professor e
acompanhando o aluno em classe especial e o aluno incluso.
Temos reuniões mensais com os professores que recebem os alunos inclusos,
para serem capacitados. Isto foi um avanço pois somos a única Secretaria
da Educação, que conseguimos dispensar um professor para ser capacitado e
na sala de aula ir um professor substituto. Também firmamos a postura de
trabalhar sempre o educacional e o social. Não ser apenas uma inclusão
social.
Temos um jornal trimestral que divulgamos noticias do Projeto “Escola
Inclusiva”, sobre os acontecimentos nas classes especiais, eventos ,
projetos pedagógicos dos professores, mensagens de diretores, e outros
assuntos.
Oferecemos atendimentos em salas de recursos para deficientes visuais e
auditivos, aonde a criança freqüenta a classe regular num período e vem
noutro para receber atendimento específico. Ex. Braile, aprendizado da
LIBRAS (língua brasileira de sinais), e outras atividades. Neste momento a
Diretoria de Educação Especial está oferecendo um curso sobre LIBRAS,
gratuitamente para os professores.
Temos também o ensino itinerante, aonde as coordenadoras dão o suporte
sobre língua de sinais, traduções de braile, ampliações e outros recursos
para ajudar o professor em sala de aula.
Tudo isto em conjunto com o Projeto POLO – Inclusão Preventiva, que está
sendo desenvolvido por mim e está em fase de pesquisa em três unidades
escolares (ensino fundamental, ed. Infantil e creche).
Nosso objetivo dar capacitação a todos os elementos da escola (desde o
porteiro até a direção), compondo de visitas de orientação ao professor,
intervenção de orientação aos pais com filhos na inclusão e em classes
especiais.
O Processo de Inclusão no Nosso Município Segue os Seguintes Passos:
Todo processo de Inclusão é acompanhado pela equipe da Diretoria de
Educação Especial.
Os procedimentos variam de acordo com o educando que será incluso.
1o. Passo:
O professor de Educação Especial deverá preparar o aluno para a sala de
ensino regular.
2o. Passo:
O professor de Educação Especial comunica o coordenador de Educação
Especial.
3o. Passo:
O coordenador de Educação Especial conversa com o coordenador da unidade
sobre a possibilidade de inclusão em período de adaptação.
4o. Passo:
O coordenador da unidade indica um professor de ensino regular dentro do
perfil do aluno a ser incluído.
5o. Passo:
O coordenador de Educação Especial conversa com o coordenador da unidade,
com o professor de ensino regular e com o professor de Educação Especial.
6o. Passo:
As etapas e combinados com a professora do ensino regular e professora de
educação especial.
7o. Passo:
Apresentação e conversa com o professor de ensino regular e coordenador
da educação especial explicando o Projeto Escola Inclusiva.
8o. Passo:
Acordo dos dias e tempo que o aluno deverá freqüentar o ensino regular,
sendo decidido pelo professor de Educação Especial e coordenador da
escola.
9o. Passo:
O professor do ensino regular começa a participar do Projeto Escola
Inclusiva, recebendo capacitação através das reuniões oferecidas pela
Diretoria de Educação Especial, toda última terça-feira do mês.
Embora tenhamos problemas para seguí-los na prática, em virtude de
encaminhamentos externos serem realizados de forma irresponsável. Como por
exemplo: Laudos ou Relatórios de outros profissionais que indicam inclusão
sem respeitar o aluno, seu desenvolvimento pedagógico, a escola e o
professor que ficará com ele. E outras variáveis que aparecem na prática
cotidiana, por exemplo: o problema de saúde pública, atendimento
especializados, etc.. Tentamos enfrentar isto caso a caso, com muitas
frustrações, impotência e sérias limitações.
Outro problema que enfrentamos é a superlotação das classes; convivemos
com números entre 35 a 42 alunos por classes e tentamos paulatinamente as
inclusões.
Encontramos dificuldades também com a terminalidade, pois ainda o
município não tem projeto para isto. Estamos “rascunhando um projeto” para
fazer uma parceria com a Secretaria do Serviço Social.
Temos em 30 escolas um projeto chamado “Fortaleza do Saber”. É um mini
castelinho com 10 computadores para os alunos aprenderem informática em
parceria com uma instituição privada, que está em fase de desenvolvimento.
No ano de 2001, realizei um projeto junto a ECA/USP sobre o uso do
computador e a internet – proposta sobre o modelo do professor como
EDUCOMUNICADOR, justamente porque tínhamos todo o material, espaço físico,
computadores, convênio, etc... Tenho o artigo publicado sobre essa
experiência deste projeto com adolescentes: “Projetos Colaborativos na
Internet” e “Jovens em Ação: não seja inocente na internet”. Infelizmente
a proposta não foi investida.
Enfim, a visão de uma proposta preventiva de trabalho num modelo de Escola
Inclusiva exige, aprofundamento teórico e prático, investimento acadêmico,
reflexão, flexibilidade, resistência a inúmeras frustrações,
disponibilidade das pessoas, avaliação constante de nossos preconceitos,
impotência, limitações, coerência, etc.
Sabemos que estamos muito longe de um ideal escolar mais digno, aonde
possa existir maior investimento nas relações humanas, na capacitação do
professor, na qualidade de ensino, reduzindo o número de alunos por
classes, que os pais possam ser reconhecidos como importantes,
fundamentais no papel escolar, e que possamos ter melhores condições e
qualidade de vida.
Neste momento só sabemos que a cooperação entre as pessoas seja uma das
saídas, há a necessidade do exercício de cidadania mais eficaz, de uma
sociedade mais organizada e fortalecer posturas éticas, estas condutas
poderão proporcionar a longo prazo um futuro melhor.
“Muito mais do que só fazer sua parte, é fazê-la em conjunto com alguém!”
|