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Buscando uma Escola Inclusiva
 
Por Marina S. Rodrigues Almeida (conheça mais sobre a autora, clique aqui)
Psicóloga e Psicopedagoga CRP 06/41029-6




Inicialmente aqui em São Vicente, litoral de São Paulo – Brasil,  já existia uma escola nos anos 70 e 80, que realizava a inclusão de uma forma natural. A escola era uma instituição filantrópica, ao qual fui estagiária e depois professora. Tínhamos classes regulares e especiais. E a transição era natural, porque todos se conheciam.

Nos anos 90 as coisas foram se modificando e as escolas foram se compartimentando em especiais e regulares. Posteriormente com as novidades políticas e estaduais. O movimento da municipalização, as classes especiais foram implantadas no sistema educacional na maioria da rede municipal.

Temos na Rede Municipal  de Ensino : 21 escolas municipais de ensino fundamental, 19 de educação infantil e 50 creches. Todas possuem alunos inclusos em algum nível de desenvolvimento e muitas das escolas possuem as classes especiais em conjunto.

Há 5 anos foi fundada  uma escola para autistas e psicóticos NUMAA Núcleo Municipal de Atendimento ao Autista. Eu fui à psicóloga que avaliou os alunos para a entrada nesta escola em 1997 em parceria com laudos médicos e exames, num total inicial de - 23 crianças e jovens. Inicialmente o NUMAA começou bem, com supervisão  e técnicas  do THEACH. Hoje  está muito a quem do que se poderia ter como atendimento com qualidade, pois sua infra estrutura é muito boa.

Posteriormente organizei e fundei um serviço público,  projeto:  NUMAPS (Núcleo Municipal de Atendimento Psicopedagógico) , ao qual coordenei por  5 anos.

O objetivo deste serviço era o atendimento de crianças na faixa etária de 5 a 14 anos que apresentassem dificuldades de aprendizagem o mais precocemente possível, e que fossem da Rede Municipal de Ensino



O Projeto Escola inclusiva

Atualmente faço parte da equipe do Projeto Escola Inclusiva,  que é composta por 6 profissionais pedagogas, todas com formação em pedagogia em Educação Especial : def. mental, auditivo, visual.

Cada coordenadora do Projeto Escola Inclusiva faz visitas mensais nas escolas (subdividas entre nós) orientando o trabalho do professor e acompanhando o aluno em classe especial e  o aluno incluso.

Temos reuniões mensais com os professores que recebem os alunos inclusos, para serem capacitados. Isto foi um avanço pois somos a única Secretaria da Educação, que conseguimos dispensar um professor para  ser capacitado e na sala de aula ir um professor substituto. Também firmamos a postura de trabalhar sempre o educacional e o social. Não ser apenas uma inclusão social.

Temos um jornal trimestral que divulgamos noticias do Projeto “Escola Inclusiva”, sobre os acontecimentos nas classes especiais, eventos , projetos pedagógicos dos professores, mensagens de diretores, e outros assuntos.

Oferecemos atendimentos em salas de recursos para deficientes visuais e auditivos, aonde a criança freqüenta a classe regular num período e vem noutro para receber atendimento específico. Ex. Braile, aprendizado da LIBRAS (língua brasileira de sinais), e outras atividades. Neste momento a Diretoria de Educação Especial está oferecendo um curso sobre LIBRAS, gratuitamente para os professores.

Temos também o ensino itinerante, aonde as coordenadoras dão o suporte sobre língua de sinais, traduções de braile, ampliações e outros recursos  para ajudar o professor em sala de aula.

Tudo isto em conjunto com o Projeto POLO – Inclusão Preventiva, que está sendo desenvolvido por mim e está em fase de pesquisa em três unidades escolares (ensino fundamental, ed. Infantil e creche).

Nosso objetivo dar capacitação a todos os elementos da escola (desde o porteiro até a direção), compondo de visitas de orientação ao professor, intervenção de orientação aos pais com filhos na inclusão e em classes especiais.



O Processo de Inclusão no Nosso Município Segue os Seguintes Passos:

Todo processo de Inclusão é acompanhado pela equipe da Diretoria de Educação Especial.

Os procedimentos variam de acordo com o educando que será incluso.


1o. Passo
: O professor de Educação Especial deverá preparar o aluno para a sala de ensino regular.

2o. Passo
: O professor de Educação Especial comunica o coordenador de Educação Especial.

3o. Passo
: O coordenador de Educação Especial conversa com o coordenador da unidade sobre a possibilidade de inclusão em período de adaptação.

4o. Passo
: O coordenador da unidade indica um professor de ensino regular dentro do perfil do aluno a ser incluído.

5o. Passo
: O coordenador de Educação Especial conversa com o coordenador da unidade, com o professor de ensino regular e com o professor de Educação Especial.

6o. Passo
: As etapas e combinados com a professora do ensino regular e professora de educação especial.

7o. Passo
: Apresentação e conversa com o professor de ensino regular e  coordenador da educação especial explicando o Projeto Escola Inclusiva.

8o. Passo
: Acordo dos dias e tempo que o aluno deverá freqüentar o ensino regular, sendo decidido pelo professor de Educação Especial e coordenador da escola.

9o. Passo
: O professor do ensino regular começa a participar do Projeto Escola Inclusiva, recebendo capacitação através das reuniões  oferecidas pela Diretoria de Educação Especial, toda última terça-feira do mês.


Embora tenhamos problemas para seguí-los na prática, em virtude de encaminhamentos externos serem realizados de forma irresponsável. Como por exemplo: Laudos ou Relatórios de outros profissionais que indicam inclusão sem respeitar o aluno, seu desenvolvimento pedagógico, a escola e o professor que ficará com ele. E outras variáveis que aparecem na prática cotidiana, por exemplo: o problema de saúde pública, atendimento especializados, etc.. Tentamos enfrentar isto caso a caso, com muitas frustrações, impotência e sérias limitações.

Outro problema que enfrentamos é a superlotação das classes; convivemos com números entre 35 a 42 alunos por classes e tentamos paulatinamente as inclusões.

Encontramos dificuldades também com a terminalidade, pois ainda o município não tem projeto para isto. Estamos “rascunhando um projeto” para fazer uma parceria com a Secretaria do Serviço Social.


Temos  em 30 escolas um projeto chamado “Fortaleza do Saber”. É um mini castelinho com 10 computadores para os alunos aprenderem informática em parceria com uma instituição privada, que está em fase de desenvolvimento.

No ano de 2001, realizei um projeto junto a ECA/USP sobre o uso do computador e a internet – proposta sobre o modelo do professor como EDUCOMUNICADOR, justamente porque tínhamos todo o material, espaço físico, computadores, convênio, etc... Tenho o artigo publicado sobre essa experiência deste projeto com adolescentes:  “Projetos Colaborativos na Internet” e “Jovens em Ação: não seja inocente na internet”. Infelizmente a proposta  não  foi investida.


Enfim, a visão de uma proposta preventiva de trabalho num modelo de Escola Inclusiva exige, aprofundamento teórico e prático, investimento acadêmico, reflexão, flexibilidade, resistência a inúmeras frustrações, disponibilidade das pessoas,  avaliação constante de nossos preconceitos, impotência,  limitações, coerência, etc.

Sabemos que estamos muito longe de um ideal escolar mais digno, aonde possa existir maior investimento nas relações humanas, na capacitação do professor, na qualidade de ensino, reduzindo o número de alunos por classes, que os pais possam ser reconhecidos como importantes, fundamentais no papel escolar, e que possamos ter melhores condições e qualidade de vida.

Neste momento só sabemos que a cooperação entre as pessoas seja uma das saídas, há a necessidade do exercício de cidadania mais eficaz, de uma sociedade mais organizada e fortalecer posturas éticas, estas condutas poderão  proporcionar a longo prazo um futuro melhor.

“Muito mais do que só fazer sua parte, é fazê-la em conjunto com alguém!”

 

Para entrar em contato com a autora clique aqui
 

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Atualizado em: July, 2006